As orações introduzidas pela conjunção “aunque” no espanhol são comumente apresentadas pelas gramáticas normativas como concessivas ou adversativas. O presente trabalho tem como objetivo discutir a sobreposição semântica constata nos casos oracionais introduzidos por esse nexo e apresentar propostas de diferenciação entre esses dois tipos de orações com base em critérios funcionalistas (CREVELS, 19998; NEVES, 2000; KÖNIG, 1994). A dúvida surge em casos como Parece tonto, aunque a veces sorprende (CASCÓN MARTÍN, 2000) porque tanto nos enunciados concessivos quanto nos adversativos há dois elementos de informação que se contrastam. Isso se explica, segundo a Real Academia Española (1931), porque a conjunção “aunque” apresenta valor primitivo concessivo, mas adquiriu também valores adversativos. A forma verbal é comumente apontada na literatura como um caminho para diferenciar esse tipo de construção, pois o subjuntivo é o modo típico da concessão e o indicativo, o da adversidade. Esse critério, no entanto, não se sustenta quando analisamos casos como Aunque me tienes harto te acompañaré, em que se observa a forma tienes, no indicativo, em uma oração claramente concessiva. Segundo Matte Bon (2003), as orações concessivas obedecem o esquema “Aunque A, B” e, ao formar uma oração concessiva, o falante leva em conta o que está sendo dito no elemento A e que, apesar de tudo, pode ou tem que dizer o elemento B. Isso já não ocorreria na coordenada adversativa, pois, nesse caso a oração adversativa corrige ou restringe o conteúdo do que foi apresentado na oração principal (PILAR GARCÉS, 1994). Da perspectiva funcionalista, surgem alguns critérios que podem ajudar nessa problemática. Segundo Crevels (1998), as orações concessivas podem ocupar diferentes posições: antes ou depois da principal e também não aceitam estratégias de focalização, o que já não ocorre com as adversativas.
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