Este trabalho faz parte de um projeto mais amplo denominado Gramática do Português, coordenado pelo Prof. Dr. Roberto Gomes Camacho da UNESP de São José do Rio Preto. Nessa investigação, estabeleceram-se duas grandes temáticas. A primeira diz respeito à análise da formação do português do Brasil em relação a outras variedades lusófonas e a segunda era a de equacionar, de alguma forma, os resultados obtidos nessa descrição ao conceito tradicional de Gramática. Nessa perspectiva, a presente pesquisa investiga, à luz da Gramática Discursivo Funcional (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008), as orações concessivas em dados do português lusófono a fim de verificar de que maneira a descrição dessas orações se aproximam ou se distanciam do modo tradicional de descrição das gramáticas puramente prescritivas em uso no ensino escolar. Os resultados obtidos mostram que a concessão pode constituir uma função retórica, no Nível Interpessoal, quando representa uma estratégia do falante para atingir seus propósitos comunicativos, como em: Os jovens do campo querem-se parecer mais com os jovens da cidade, apesar de isso não ser nenhuma vantagem (PT96: MeioPequeno). A concessão pode também configurar uma função semântica, já no Nível Representacional, quando o falante antecipa uma provável refutação por parte do ouvinte, o que é tipicamente definido pela Gramática Tradicional como “um possível obstáculo para o que está contido na oração principal”, conforme exemplificado em: Mesmo chovendo, a pessoa não apanha (Moç86: A chuva). Nossos dados revelam ainda um terceiro caso de concessão, quando constitui uma função discursiva, uma informação adicional que o falante julga pertinente: Para mim foi diferente ver assim como eles valorizam aquela cidade, como eles, embora Porto Alegre seja uma cidade bem grande, não é, você vê como eles valorizam (Bra80: SurpresasFotografia). O universo de investigação consiste no corpus oral organizado pelo Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.
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