S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Comunicações)

TRAÇOS DISCURSIVOS E MARCAÇÃO PROSÓDICA DE TÓPICOS
MARIA INÊS PEDROSA DA SILVA DUARTE 1, ET ALII 2,3
1. FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2. FLUP - Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 3. ISCTE-IUL - ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa
iduarte@fl.ul.pt



Trabalhos recentes questionam correlações entre marcação prosódica e conceitos discursivos como o de tópico (Féry & Krifka, 2007; Fanselow, 2008). Este estudo apresenta argumentos na mesma direção. Analisando materiais de fala espontânea e preparada de adultos e adolescentes (Corpus CPE-FACES) com construções de tópico marcado, em que o constituinte na periferia esquerda está associado a um valor contrastivo (Rooth, 1992), verificámos que ocorrem duas marcações prosódicas distintas: (L+)H e H+L, tendencialmente associadas a sequências com propriedades sintático-semânticas diferentes. No primeiro caso, existe um contraste associado diretamente ao conteúdo predicativo e a um conjunto de alternativas (Frascarelli, 2011) (1); no segundo caso, os constituintes na periferia esquerda fazem parte de uma lista exaustiva, textualmente definida, sem que haja contraste associado ao conteúdo predicativo (2).

(1) (…) o outro, pegava nele, punha aqui no ombro (…)

(2) (…) sobre o marido não temos muitas informações (…)

(…) sobre a moça temos só duas (…)

(…) sobre a ama sabemos que ela era mentirosa (…)

Constatámos ainda que a forma (explícita ou implícita) de identificar as alternativas parece ter efeitos sobre a marcação prosódica - cf. o tom H*+L em (3).

(3) (…) tenho lá imensos amigos, continuo a falar com eles, mas da escola mesmo em si nunca gostei (…)

Referências

Fanselow, G. 2008. In need of mediation: the relation between syntax and information structure. Acta Linguistica Hungarica, 55 (3/4): 1-17.

Féry, C., Krifka, M. (eds.) 2007. Interdisciplinary studies on information structure, 6. Potsdam, University of Potsdam.

Frascarelli, M. 2011. Discourse features in the interface interpretation of topics. A phase-based compositional account. Handhout. “Workshop on prosody and syntax”. Universidade de Veneza.

Rooth, M. 1992. A theory of focus interpretation. Natural Language Semantics, 1: 75- -116.


631