S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Comunicações)

PERIFERIAS ESQUERDA E DIREITA: ASSIMETRIAS
SILVANA INêS DA SILVA ABALADA 2, ANA LúCIA DA SILVA DIAS GONçALVES DOS SANTOS 2,1, MARIA INêS PEDROSA DA SILVA DUARTE 2,1
1. UL - Universidade de Lisboa, 2. CLUL - Centro de Linguística da Universidade de Lisboa
iduarte@fl.ul.pt



de Vries (2009a/b) e Ott & de Vries (2012, em preparação) discutem a natureza sintática e discursiva de deslocações à esquerda e à direita e propõem uma análise de coordenação especificante não-restritiva para os constituintes deslocados; propõem, para material periférico à direita (backgrounding right dislocation e afterthoughts), uma estrutura bi-oracional com elipse de parte do segundo CP, após movimento-A' do remnant, uma análise semelhante à de Merchant (2004) para fragmentos. Neste trabalho, comparamos o comportamento de constituintes periféricos com o de fragmentos em português (Santos, 2009), argumentando a favor da natureza elítica do material periférico à direita. Discutimos ainda a proposta de de Vries, com base em (i) dados de produção espontânea de adultos (5 adultos; 29398 enunciados) e de uma criança (idade: 1;6.18-3;10.16; MLUw: 1.286-3.089) do corpus de Santos (2006/2009) e (ii) dados de compreensão de topicalizações, deslocações à esquerda clítica e sujeitos deslocados à direita de 41 crianças (idades: 3;5-6;3) e 30 adultos (Abalada, 2011). Embora a análise de de Vries, ao tomar constituintes periféricos à direita como remnants topicalizados, explique a assimetria entre a compreensão de objetos diretos topicalizados e a de sujeitos deslocados à direita – se assumirmos concomitantemente que a dificuldade na compreensão dos primeiros se deve a efeitos de intervenção induzidos pelo movimento do objeto sobre o sujeito (Friedmann, Belletti & Rizzi, 2009) –, ela não explica a ocorrência na produção espontânea, como afterthoughts, de constituintes que não podem ser extraídos (i). (i) um carro para nós andarmos # amarelo,, não é filho? (MAE, tom-2-9-7)


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