Embora seja consenso que o que concebemos como gramática conte com uma estabilidade tanto em seu modo de descrição quanto em sua metalinguagem, é possível encontrar mudanças técnicas e metodológicas utilizadas ao longo do tempo para descrever e sistematizar as línguas. Em nossa pesquisa de mestrado temos analisado o tratamento conferido à fonética, à fonologia e à ortografia em gramáticas portuguesas do século XIX, a saber: Couto e Melo, 1818; Soares Barbosa, 1822; Constancio, 1831; Caldas Aulete, 1864; Adolpho Coelho, 1891. Temos analisado o conjunto de metatermos que formam uma rede terminológica usual no período. De acordo com Swiggers (2010), para se chegar a uma rede terminológica que nos permita compreender melhor a tradição gramatical de um período é preciso analisar os metatermos que compõem essas obras a partir de seus conteúdos focal (o metatermo em si) e contrastivo (a relação de um metatermo com os demais da obra). Nesta comunicação apresentaremos uma análise do metatermo nasal nessas gramáticas. Para tanto será necessário verificar as concepções de metatermos como letra, consoante, vogal, oral entre outros. Consideraremos também as concepções do metatermo nasal para os gramáticos Fernão de Oliveira (1536) e João de Barros (1540), uma vez que um de nossos intuitos é o de observar as mudanças que ocorreram na estrutura da gramática portuguesa levando em conta dois importantes períodos de seu desenvolvimento: o século XVI, quando apareceram as primeiras descrições do português, e o século XIX, momento em que se buscava um maior cientificismo para o seu tratamento. Até o momento percebemos que, embora os gramáticos quinhentistas mencionem e tentem propor uma solução gráfica para as nasais, ainda não utilizavam esse termo, que aparece constantemente no século XIX. Há também divergências no próprio XIX, por exemplo, ao considerar nasais apenas as vogais, ou vogais e consoantes.
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