OS QUADRINHOS SOB DIFERENTES VISÕES TEÓRICAS Esta comunicação coordenada focaliza o gênero História em Quadrinhos, mais especificamente o tipo tiras, a partir de diferentes olhares teóricos. Estuda-se a construção do humor em relação à composição de personagens. Assim, pela noção de frame estuda-se a caracterização do super herói, pela noção de referenciação, o estereótipo do homem de meia idade e pela noção de identidade, o protótipo da solteirona Resumo #1A Noção de Frame e Textos em Quadrinhos: Caracterizando o super - heroi Este trabalho focaliza a noção de frame no processo de produção de sentido em tiras de quadrinhos. Essa noção contribui no sentido de se entender a organização do conhecimento na memória, pois concebe o discurso como uma forma social e cultural organizada, através da qual determinadas funções são realizadas. Assim, proporciona identificar e analisar ações realizadas por pessoas para certos propósitos, interpretar sentidos sociais, culturais, interpessoais e justificar as interpretações (SCHIFFRIN, 1987). Por mais simples que seja um texto, pressupõe-se que sejam feitas inferências para a sua compreensão, na medida em que o leitor, utilizando seu conhecimento de mundo, estabelece uma relação não explícita entre elementos do texto que busca interpretar (LEFA, 1996). Esses conhecimentos consistem em uma espécie dicionário enciclopédico do mundo e da cultura arquivado na memória, a partir das experiências acumuladas no decorrer da vida (KOCH e TRAVAGLIA, 1995). No que diz respeito às personagens de quadrinhos, sabe-se que são objetos de discurso categorizados por um processo de referenciação e que se cristalizam social e culturalmente, o que permite a criação de estereótipos. A referenciação é vista como advinda de práticas simbólicas mais do que de uma ontologia dada (MONDADA e DUBOIS, 2003). A referência, então, pode ser entendida como aquilo que, na atividade discursiva e no enquadre das relações interpessoais, é construído num comum acordo entre os atores sociais envolvidos numa dada tarefa comunicativa (MARCUSCHI, 2007). Pode-se, aqui, pensar as personagens de quadrinhos, os super herois, por exemplo, como representações cristalizadas no intercâmbio interacional autor/ leitor desse gênero. Esses personagens, quando são postos atuando uns com outros, tem ampliada essa construção pois são reconstruídos enquanto objetos de discurso, na medida em que vão sendo recategorizados. Palavras chave: Referenciação; Frame; Quadrinhos Resumo #2Referenciação e Textos em Quadrinhos: O Estereótipo do Gatão de Meia- Idade Este trabalho tem por base fundamentos teóricos e metodológicos da Linguística Textual em perspectiva sociocognitiva e interacional e objetiva analisar o papel de fenômenos referenciais na construção da imagem social do personagem Gatão de meia-idade, de Miguel Paiva. Para tanto, orienta-se pelos seguintes pressupostos: i) a referenciação é uma atividade que desencadeia a (re)construção de referentes, objetos discursivos e cognitivos; ii) a referenciação evidencia intencionalidade e pontos de vista e orienta os leitores na construção de sentidos. O corpus é constituído por uma sequência de doze tiras que desenvolvem a temática “ausência de relação sexual”. Por meio das análises, pode-se perceber como o personagem principal, em sucessivas autorrecategorizações desencadeadas na e pela imbricação palavra-imagem, refletem e sustentam o comportamento do homem de meia-idade. Palavras-chave: Referenciação, Categorização, Humor, Tiras de quadrinhos Resumo #3Identidades sociais e textos em quadrinhos: o protótipo da solteirona Tomando como foco os Estudos do Discurso Crítico, cujas pesquisas procuram entender a forma como o discurso reproduz a dominação social, entendemos, em conformidade com van Dijk (2000), que os discursos são formas de ação praticadas por atores sociais em determinadas interações de um contexto cultural. O discurso, então, é entendido como um objeto político, marcado por diversas vozes ideológicas, diretamente ligado às relações de poder do sujeito que o reproduz. Esse sujeito é fragmentado, com múltiplas identidades, que são construídas discursivamente em cada contexto internacional, com diversas faces, como gênero, raça, profissão etc. A partir desse contexto teórico, questionamos se o discurso veiculado por textos de humor procura (re)afirmar as relações de poder socialmente cristalizadas em uma cultura ou criticar essas relações. Para isso, tomamos como corpus tiras em quadrinhos de uma personagem, criada por Milson Henriques, veiculadas diariamente no jornal A Gazeta, no Espírito Santo: Marly, uma mulher solteirona e feia, que idealiza uma relação amorosa. Teorias fundamentais neste estudo são as que se debruçam nas questões de identidades sociais, na perspectiva de Hall (1996), Louro (1995, 2001) e Holmes (1995, 1997). Palavras-chave: Identidade, Quadrinhos, Gênero social. | |
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