Em pesquisas anteriores, examinamos, com base na semiótica discursiva e em seus desdobramentos na gramática tensiva, diferentes gêneros autobiográficos produzidos no Brasil, como a autobiografia literária em prosa, os poemas de caráter autobiográfico e os memoriais acadêmicos. Analisamos as diversas organizações do discurso autobiográfico, das quais emergem diferentes modos de interação entre o enunciador e o enunciatário (o leitor implícito), o que permitiu o estudo das relações entre a variação dessas formas de interação e os gêneros autobiográficos e ainda das relações entre esses gêneros e as esferas de atividade pelas quais circulam – as esferas acadêmica e literária. Os gêneros autobiográficos – entendidos como aqueles que possuem efeito de identidade entre o enunciador, o narrador e a personagem central, e temática relacionada à ”minha vida”, entre outras características – foram largamente incorporados aos suportes digitais. Assim, o objetivo deste trabalho é examinar de que forma esses gêneros foram reconcebidos na internet, especialmente nos blogs, observando o papel do suporte, bem como do uso de semióticas sincréticas nas estratégias de produção de sentido Serão analisados sobretudo os recursos empregados para o fortalecimento ou enfraquecimento do efeito de identidade entre enunciador, narrador e personagem central e ainda suas consequências para as relações entre enunciador e enunciatário.
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