S3. Análise do Discurso (Comunicações)

“O QUE AS MULHERES TÊM A VER COM A COPA?”: DITOS E NÃO-DITOS ENTRE O DISCURSO OFICIAL E O DISCURSO DA RESISTÊNCIA
GLORIA DA RESSURREIÇÃO ABREU FRANÇA 1
1. UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas, 2. PARIS 13 - Université Paris 13
gloria.franca@gmail.com



O presente trabalho propõe uma análise discursiva acerca do que circula entre ditos e não-ditos sobre o turismo sexual no Brasil enquanto atrativo para turistas. Na perspectiva da Análise do Discurso materialista, buscamos compreender quais posições-sujeito e respectivos efeitos de sentido circulam a respeito dos preparativos para os eventos esportivos a serem sediados no Brasil: Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016). Trata-se de uma análise daquilo que os documentos oficiais do Ministério do Turismo chamam de “desafios” a serem enfrentados, relacionando-os com os dizeres de mulheres de ONGs de proteção à mulher sobre “aliciamento”, “medo” e “prostituição”. Poderíamos entrever no discurso dessas ONGs a constituição de um possível discurso de resistência à ordem do turismo sexual. Assim, problematizamos: quais sentidos e identificações são constituídos nesses diferentes processos de significação/identificação do Brasil e dos brasileiros tanto no discurso oficial quanto no discurso da resistência? O corpus é constituído a partir do Plano Nacional do Turismo 2011/2014 e de um vídeo publicado no blog “Copa Pública”. Nesse blog se reúnem diversas ONGs para discutir os efeitos dos “mega-eventos” que incidem sobre a imagem da mulher brasileira. Visamos assim aprofundar as reflexões a respeito do Brasil associado ao imaginário do turismo sexual, relacionando as imagens de “mulher Brasileira”/mulher fácil/travesti com as diversas posições-sujeito de identificação e/ou contra-identificação nas discursividades analisadas.


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