S4. Dialetologia e Sociolinguística (Pôsteres)

AMBIGUIDADE EM TOUGH-CONSTRUCTIONS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
BRUNA SANCHEZ MORENO 1
1. UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
bruna_moreno@terra.com.br



À luz do Programa Minimalista (Chomsky 2001, 2005 e 2008), o presente trabalho se propõe a examinar construções que envolvem predicados do tipo “difícil/ fácil” (denominadas na literatura de sintaxe gerativa tough-constructions) e também constituintes infinitivos preposicionados, como na sentença “O João é difícil de pagar”. Parte-se da observação de Galves (1987) acerca da ambiguidade que tais sentenças desencadeiam no Português Brasileiro (PB), mas não no Português Europeu (PE), com a finalidade de se responder por qual motivo o sintagma aparentemente alçado, tal como “O João”, pode ser interpretado tanto como sujeito quanto como objeto da encaixada por falantes brasileiros, mas apenas como objeto pelos portugueses. A hipótese que orienta este trabalho até o momento considera a proposta de Ouali (2008) a respeito de retenção, doação ou compartilhamento de traços-phi de C com T para apontar, no PB, a preposição “de” como fonte provedora de Caso e, portanto, licenciadora de um pronome nulo pro ao nuclear o próprio CP infinitivo. Então, para esta língua, afirma-se que o complementizador morfo-fonologicamente realizado como “de” (C-de) ou retém ou compartilha seus traços. O mesmo não se aplica ao PE, cuja única categoria permitida como sujeito da oração infinitiva é um PRO arbitrário, haja vista um núcleo C doador de traços-phi, complemento de um sintagma preposicionado.


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