S2. Análise de textos literários (Comunicações)

A FRONTEIRA BRASIL/URUGUAI NA POESIA DE FABIÁN SEVERO
MOACIR LOPES DE CAMARGOS 1
1. UNIPAMPA - Universidade Federal do Pampa
lopesdecamargos@gmail.com



Acreditamos que a produção literária brasileira deve incluir em seu repertorio de estudos a fronteira, uma vez que este espaço tem se destacado com importantes produções em diversos gêneros literários. Pensando a fronteira como um locus singular de uma produção estética, nosso objetivo com este trabalho é estudar a fronteira a partir das obras (Noite nu norte e Viento de nadie – ambas de poesia) do poeta fronteiriço Fabián Severo. Nessas duas obras, o escritor revela, por meio de uma linguagem bastante singular, as relações entre Brasil e Uruguai, mais especificamente das cidades vizinhas Quaraí (Brasil) e Artigas (Uruguai) e como sobre(vivem) e interagem seus habitantes, pois a fronteira entre essas duas cidades é somente imaginária, já que não existe ponte ou rio que as separa. Para estudar essas relações, tomamos como metodologia de pesquisa, por se tratar de uma investigação de caráter qualitativo, os pressupostos do paradigma indiciário proposto pelo investigador Ginzburg (1989). Por se tratar de uma análise de obras poéticas, a concepção de linguagem norteadora de nossa pesquisa advém de uma perspectiva sócio-interacionista que privilegia as interações que os sujeitos estabelecem por meio de enunciados para se constituírem socialmente. Como arcabouço teórico, nos apoiamos nas reflexões sobre literatura do pensador Bakhtin e dos estudos literários discutidos pelo pesquisador uruguaio Rama (2004), dentre outros autores. Com a análise, pudemos observar que a linguagem utilizada pelo poeta, embora taxada negativamente de portunhol, serve explicitamente para desnudar um espaço longínquo e esquecido pelas autoridades governamentais, além de mostrar as relações sociais vividas pelos sujeitos que habitam esses locais e buscam sobreviver em mundo moderno, mas sem o que podemos chamar de modernidade tecnológica.


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