FREQUÊNCIA DE USO E PAPEL DA MORFOLOGIA NA ELEVAÇÃO DE /E/ PRETÔNICO NO SISTEMA VERBAL DO PORTUGUÊS DO SUL DO BRASIL LUIZ CARLOS DA SILVA SCHWINDT 1,2, GISELA COLLISCHONN 1,2 1. UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2. CNPQ - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico schwindt@ufrgs.br |
Analisamos a variação da vogal pretônica /e/ em verbos nas capitais da região sul do Brasil (Projeto VARSUL), em casos como p[e]dimos ~ p[i]dimos, p[e]diria ~ p[i]diria. Trata-se de uma retomada de análises anteriores (Schwindt, 1995; 2002; 2013; Schwindt & Collischonn, 2004), com o objetivo de discutir de forma particular o acesso do processo de harmonia vocálica à informação morfológica/lexical. Bisol (1981), bem como alguns dos trabalhos subsequentes, apesar de não considerarem verbos separadamente, atribuíram a grande força do processo em verbos à abundância de vogais altas no paradigma verbal, especialmente da terceira conjugação. As questões aqui problematizadas são: (i) enquanto regra variável, qual é a frequência de aplicação do processo de harmonização vocálica em verbos?; (ii) onde se localizam os condicionadores do processo: na raiz ou nos sufixos flexionais?; (iii) qual a relação dos supostos condicionadores morfológicos com variáveis fonológicas, como contiguidade, tonicidade e fronteira prosódica?; (iv) qual o impacto desse fenômeno sobre a forma subjacente desses verbos , ou seja, há argumentos favoráveis ao tratamento do processo como lexicalmente orientado (cf. Oliveira, 1992; Bybee, 2001)?. Até aqui, podemos afirmar que a frequência de aplicação da elevação em verbos não é distinta da aplicação geral. Há indicativos, porém, de um comportamento singular em algumas formas verbais: um grande favorecimento do processo quando o gatilho é a VT –i em contraste com outras formas, especialmente com aquelas em que essa vogal se localiza no sufixo de futuro do pretérito. Esse mesmo resultado, por outro lado, ganha outros contornos se contrastado às variáveis puramente fonológicas que referimos anteriormente. Quanto ao léxico, os dados de forma geral não apontam de forma contundente para um padrão de flutuação alomórfica (Oliveira, 1992:36), ainda que alguns verbos com elevação categórica no dialeto florianopolitano possam suportar uma explicação baseada em fissão alomórfica (ex. pidi, sinti, segui).
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