P21. Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do Português (Comunicações dentro de Projetos)

O ESTATUTO VARIÁVEL DA CONCORDÂNCIA VERBAL DE TERCEIRA PESSOA DO PLURAL NO PB E NO PE
ALEXANDRE MONTE 1
1. UNESP - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
xmonte@uol.com.br



Investigamos a variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural no português brasileiro (PB) e no português europeu (PE), com o objetivo de discutir o estatuto dessa variação nas duas variedades. Os dados foram obtidos de uma amostra de língua falada da cidade de São Carlos, localizada no interior do Estado de São Paulo/Brasil, e de uma amostra de língua falada da cidade de Évora, situada no Alentejo, sul de Portugal. As duas amostras utilizadas são constituídas de 18 entrevistas sociolinguísticas informais. Adotamos os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação e Mudança Linguística (WEINREICH, LABOV & HERZOG, 1968; LABOV, 1972, 1994, 2001, 2003). Os nossos resultados com dados do português europeu revelam uma significativa diferença quantitativa em relação aos nossos resultados com dados do português brasileiro. Na amostra do PB, encontramos 48,2% (686/1.422) de presença de concordância verbal. Já na amostra do PE, 93,1% (1.340/1.440) dos dados trazem a marca explícita de plural nos verbos. De acordo com a tipologia de regras apresentada por Labov (2003), podemos afirmar que no português do Brasil a regra é efetivamente variável. No português de Portugal, a regra parece ter status semicategórico. Em relação ao PE, sabemos que há divergências quanto à seleção das variáveis, isto é, nem sempre as mesmas variáveis são significativas nos diferentes corpora. No entanto, as variáveis posição do sujeito/SN em relação ao verbo e traço semântico do sujeito/SN são muito atuantes na variação da concordância verbal, tanto na variedade brasileira quanto na variedade europeia. A variável que mais se mostrou relevante na amostra do PB foi a escolaridade. Já na amostra lusitana, a escolaridade não obteve significância estatística. Diante dos nossos resultados, fica difícil negar a influência do massivo contato entre línguas na história de nossa formação sociolinguística.


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