S6. Filologia e Linguística Histórica  (Comunicações)

OS QUATROS LIVROS MANUSCRITOS DE MARIA JULIETA CEDRAZ FRIANDES: A LEITURA E ESCRITA DE UMA MULHER ENTRE AS CAATINGAS E A CAPITAL BAIANA NO SÉCULO XIX
JADIONE CORDEIRO DE ALMEIDA 1
1. FARJ - FACULDADE REGIONAL DO JACUÍPE
jadionealmeida@gmail.com



Esta pesquisa fundamenta-se na História de Cultura Escrita. Fazendo uso do método indiciário e etnográfico, registros escritos de foro íntimo e oficiais foram analisados com vistas a historiografar a vida e obra de uma das primeiras poetisas baianas dos Sertões dos Tocós: Maria Julieta Cedraz Friandes. Nascida na década de 1870(?) na atual cidade de Ichu-BA, praticamente forma-se como normalista em Salvador, porém regressa ao interior do estado, onde com seu cônjuge morreram de inanição na Seca de 1932 . Esta pesquisa tem como objetivos: revelar ao público a importância desta mulher; descrever e analisar as condições de produção e/ou adversidades encontradas por uma mulher nordestina em busca de formação normalista e do direito de ler e escrever num século em que as normalistas inicialmente eram igualadas às categorias dos loucos e prostitutas (VILLELA, 2000); listar e agrupar os tipos de gêneros textuais organizados e escritos também pela então estudante, bem como identificar com quais obras e/ou autores ela especialmente tivera contato no contexto em que as mulheres geralmente ainda eram privadas da cultura escrita; por fim, comparar as mudanças de comportamento de leitora e escritora, antes e depois do casamento num espaço hostil. Nesta primeira etapa da pesquisa, editou-se apenas o primeiro livro, chegando à conclusão de que o corpus foi produzido entre o interior e a capital baiana, nos anos de 1898 e 1899; trata-se de um livro manuscrito lido pelas mulheres da família durante gerações; a organizadora das antologias lia autores românticos e parnasianos; dos 97 poemas, 59% eram da autoria da poetisa; além desses, no livro escreveu motes, epígrafes, quadras, pensamentos e anotações avulsas de autoria variada, sendo 28/38 (74%) da própria poetisa. Já professora e casada, abandona parcialmente a poesia e dedica-se à família e à leitura religiosa, atitude comum a uma mulher à época.


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