P19. Fonologia: teoria e análise (Comunicações dentro de Projetos)

A VOGAL LABIAL MÉDIA BAIXA EM RAÍZES NOMINAIS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
CARMEN LÚCIA BARRETO MATZENAUER 1, ANA RUTH MORESCO MIRANDA 2
1. UCPEL - UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS, 2. UFPEL - UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
carmenluc@terra.com.br



Este estudo retoma o tema da Metafonia, focalizando a vogal labial média baixa em raízes nominais do português brasileiro (PB). Segue Miranda (2000), ao definir a Metafonia uma regra lexical que se aplica no nível da palavra, responsável pela alternância entre vogais médias da raiz, tendo o gatilho na vogal temática. Reconhece ser esse um fenômeno que opera nos nomes da língua na sequência [o]…[o] (ex.: [o]sso) – como Cavacas (1920), Silva Neto (1970), Câmara Jr. (1975), Mateus (1975), Andrade (1994), Cafezeiro (1981) e Miranda (2000) –, assim como na sequência [E]…[a] (ex.: t[E]la) – como Williams (1961), Matzenauer e Miranda (2008). No presente trabalho, investiga-se a distribuição da vogal labial média baixa em sílabas acentuadas das formas nominais, partindo-se da ideia de que o português pode apresentar outros tipos de restrições, além daquelas que determinam a sequência [o]…[o], as quais poderiam estar condicionando outras sequências vocálicas, fazendo com que a vogal labial média baixa em sílaba acentuada da raiz nominal tenha sua qualidade predita em razão da vogal temática. Essa hipótese foi testada a partir de um experimento, cujos resultados mostram o comportamento de falantes nativos diante da leitura de palavras que contêm uma sequência de vogal labial média baixa de raízes nominais seguidas da vogal temática -a. O teste, criado especificamente para este estudo, foi aplicado a quarenta falantes nativos de português brasileiro, divididos em dois grupos de idade com dois diferentes níveis de escolaridade. Esses dados empíricos bem como a pesquisa feita no léxico da língua, considerando-se apenas as formas primitivas dos nomes com vogal temática -a, foram analisados à luz dos princípios e convenções de uma teoria baseada em restrições. Do reconhecimento da Metafonia na sequência [O]…[a] decorrem implicações relevantes para discussões sobre o ditongo decrescente [ow] e sobre a flexão de gênero no PB.


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