S6. Filologia e Linguística Histórica  (Comunicações)

A EXPRESSÃO DA SEGUNDA PESSOA EM CARTAS PESSOAIS DO SUL E DO NORDESTE BRASILEIRO: DIFERENTES SISTEMAS OU GRAMÁTICAS EM COMPETIÇÃO?
MARCO ANTONIO MARTINS 1, IZETE LEHMKUHL COELHO 2, ZENAIDE DE OLIVEIRA NOVAIS CARNEIRO 3
1. UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2. UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, 3. UEFS - Universidade Estadual de Feira Santana
marcoamartins.ufrn@gmail.com



Apresentamos, nesta comunicação, uma análise das formas de segunda pessoa do singular em uma amostra extraída de cartas pessoais das regiões sul (Santa Catarina) e nordeste (Bahia e Rio Grande do Norte) dos séculos XIX e XX. Considerando a proposta de Lopes e Cavalcante (2011) de que, no que se refere ao tratamento de segunda pessoa na diacronia do Português Brasileiro, há três subsistemas – (i) de você exclusivo; (ii) de tu exclusivo; e (iii) de alternância você~tu –, nosso objetivo e mapear os padrões empíricos referentes ao uso das formas de tu e de você em diferentes contextos sintáticos, buscando diagnosticar qual (ou quais) dos subsistemas se manifesta(m) nas regiões sul e nordeste (e se há diferenças nos padrões atestados nessas regiões). O corpus está assim estruturado: (1) de Santa Catarina, serão utilizadas 120 cartas escritas por catarinenses nos séculos XIX e XX; (2) da Bahia, serão utilizadas 358 cartas de baianos dos séculos XIX e XX retiradas entre os remetentes de diferentes acervos; (3) do Rio Grande do Norte, serão utilizadas 146 cartas particulares do século XX. Seguindo um modelo teórico de mudança sintática que concilia a observação empírica (WEINREICH; LABOV; HERZOG, 1968; LABOV, 1972) com uma interpretação teórica (CHOMSKY, 1995), conforme propõe Kroch (1989), nossa proposta é a de que os diferentes padrões empíricos atestados no sul e nordeste brasileiro (em termos de diferentes sistemas, nos termos de Lopes e Cavalcante, 2011) refletem, no curso dos séculos XIX e XX, a competição entre diferentes gramáticas do português: a do Português Brasileiro em que os traços-phi (pessoa e número) de P2 são menos especificados e a do Português Europeu em que P2 apresenta traços-phi mais especificados.


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