FRASES SEM TEXTO: QUESTÕES TEÓRICO-ANALÍTICAS Apresentaremos nessa comunicação coordenada uma análise discursiva de pequenas frases que circularam em diversos cotextos e contextos. Resumo #1Frases sem texto: questões teórico-analíticas Nesta comunicação coordenada, inicialmente tomamos como corpus as frases curtas de Millôr Fernandes. Esses enunciados serão descritos e “enquadrados” em domínios diversos. A segunda operação é necessária principalmente porque as “frases” do autor são de natureza diversa: slogans, provérbios reescritos em linguagem culta, frases particularmente surpreendentes, descrições inesperadas, paradoxos, exploração de diversos sentidos. Mais particularmente, serão analisadas à luz dos conceitos de sobreasseveração e aforização, com as óbvias implicações para o ethos. Na sequência, tomamos algumas frases curtas produzidas nas últimas décadas pelos mais variados atores políticos e que tiveram uma ampla circulação na mídia. Referimo-nos às frases: “I have a dream” de Martin Luther King; “Yes, we can” de Barak Obama e “A esperança venceu o medo” de Luís Inácio Lula da Silva. Com base nessas pequenas frases, nossa questão de fundo é entender até que ponto tais enunciados podem ser entendidos não apenas como panaforizações, como propõe Maingueneau, mas como metaforizações: frases que vêm saturando diferentes acontecimentos históricos em diferentes plataformas discursivas. Por último, tratamos de alguns dos enunciados mais propagados em redes sociais durante as manifestações de junho de 2013: “O gigante acordou”, “Vem pra rua” e “Sai do Facebook”. Com base nessas frases, foi observado que há um chamamento para movimentação nos verbos e uma continuidade, mas não oposições em relação a essas movimentações. Contudo, há oposições de outros tipos, bem como um ato de contiguidade nas redes. Outra característica é que há praticamente um apagamento de um sujeito porta-voz, mediador entre “os seus” e o “outro”, o que sugere uma mudança histórica, contraditoriamente proporcionada pelo acesso à tecnologia e ao sentimento de colaboração que une aqueles que estão engajados nas redes sociais, mas simultaneamente não conseguem abrir um espaço de negociação entre o político e o social. Resumo #2MILLÔR FRASISTA É sabido que Millôr Fernandes produziu uma obra variada (traduções, desenhos, textos “longos”, aforismos, trocadilhos etc., além de peças de teatro). A esta comunicação interessam, no entanto, apenas suas frases curtas. Serão descritas, mais ou menos detalhadamente (por uma questão de fidelidade às teses da Análise do Discurso) e “enquadradas” em domínios diversos, etapas necessária para sua interpretação. A segunda operação é necessária principalmente porque as “frases” do autor são de natureza diversa: slogans, provérbios reescritos em linguagem culta, frases particularmente surpreendentes, descrições inesperadas, paradoxos, exploração de sentidos insuspeitos de palavras etc. Genericamente, pode-se dizer que se trata sempre de humor. Sendo as técnicas diversas, serão objeto particular de análise. Também será considerada a vizinhança de textos analisados com questões como intertextualidade / interdiscursividade. Mais particularmente, serão analisadas à luz dos conceitos de sobreasseveração e aforização, com as óbvias implicações para o ethos. Trata-se, de certa forma, de uma homenagem a Millôr Fernandes, recentemente falecido. A análise será um pouco facilitada pelo fato de o próprio autor ter organizado, há alguns anos, um volume a que chamou Millôr definitivo - A Bíblia do caos (Porto Alegre, LP&M), uma reunião, segundo ele mesmo, de “5142 pensamentos, preceitos, máximas, raciocínios, considerações, ponderações, devaneios, elucubrações, cismas, disparates...” Resumo #3Quando o gigante acorda, vai pra rua e sai do Facebook: frases em movimento Este trabalho trata de alguns dos enunciados mais propagados em redes sociais durante as manifestações de junho de 2013: “O gigante acordou”, “Vem pra rua” e “Sai do Facebook”. Pretende-se problematizar as condições de produção dessas frases, especialmente no que diz respeito às restrições e alcances através da interface. Tais enunciados foram tomados como exemplares de mensagens das reivindicações, seja em reportagens na mídia ou em observações in loco no Twitter e no Facebook. Foram coletados enunciados através de ferramentas de busca próprias para redes sociais. Para instrumentalizar a análise, verificou-se como as postagens estão inter-relacionadas, a remissão a outros enunciados e o seu caráter soberano, relativamente autônomo e sem fonte aparente, mas todos envolvidos em despertar sentido para um movimento que culminasse com as manifestações. Foi observado que há um chamamento para movimentação nos verbos e uma continuidade (acordar, ir, sair), mas não oposições em relação a essas movimentações. Contudo, há oposições de outros tipos (“se você acordou agora, respeite quem nunca dormiu” – relacionando manifestantes de hoje e do passado) bem como um ato de contiguidade nas redes (quem diz que saiu do Facebook, o faz através da rede ou registra seus atos por meio da interface, mesmo que pelo celular, através de um aplicativo ou browser – mostrando apenas que é mais participativo). Pôde-se notar que, ao mesmo tempo que é pontuada a necessidade das manifestações, são silenciados discursos que motivam esse movimento, mas que ficam latentes. Outra característica que surge é de haver praticamente um apagamento de um sujeito porta-voz, mediador entre “os seus” e o “outro”, o que sugere uma mudança histórica, contraditoriamente proporcionada pelo acesso à tecnologia e ao sentimento de colaboração que une aqueles que estão engajados nas redes sociais, mas simultaneamente não conseguem abrir um espaço de negociação entre o político e o social. | |
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