S10. Linguística de Corpus  (Comunicações coordenadas)

SOBRE A RELEVÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO DE CORPORA PARA A REALIZAÇÃO DE ESTUDOS DESCRITIVOS DO PORTUGUÊS
NIGUELME CARDOSO ARRUDA (nigcardoso@hotmail.com)
Fafich - FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DE GOIATUBA

Nesta sessão, serão apresentados estudos de descrição de variedades da Língua Portuguesa, cujo desenvolvimento se deu tendo por base a montagem e análise de corpora, quer sincrônico, quer diacrônico. A descrição a partir de corpora (ora constituídos a partir da modalidade escrita da língua, ora da modalidade falada) fornece um suporte empírico que permite a aplicação das reflexões teóricas sobre fatos de uso real da língua.

Resumo #1

ALOMORFIAS E PROCESSOS MORFOFONOLÓGICOS NA FLEXÃO DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
Daniel Soares da Costa (dan.fono@gmail.com)

O objetivo deste trabalho é analisar as alomorfias e os possíveis processos morfofonológicos desencadeados pela flexão nominal no português brasileiro. O corpus utilizado para a coleta de dados será construído por um recorte do banco de dados do Laboratório de Estudos Lexicográficos da UNESP (LabLEX). Os dados que compõem esse banco constituem um corpus bastante heterogêneo, uma vez que contemplam vários tipos de textos (romances, peças de teatro, literatura técnica, textos jornalísticos, etc.), escritos por vários autores e com diferentes assuntos. São cerca de 220 milhões de ocorrências do Português Brasileiro, colhidas em diversas fontes, desde as literárias até as jornalísticas, que abrangem uma grande variedade de temas, gêneros e enfoques, permitindo uma análise bastante consistente do fenômeno linguístico abordado neste trabalho. Este trabalho é resultado parcial da pesquisa empreendida no nosso projeto intitulado Processos morfofonológicos na flexão nominal: estudo comparativo entre o português arcaico e o português brasileiro atual. Depois de mapeadas e organizadas as palavras, e descritas as regras gerais da flexão nominal (a de número e a de gênero) no Português Brasileiro, partiremos para a análise das alomorfias e dos processos morfofonológicos encontrados, tendo, como base teórica, a Teoria da Otimalidade.

Resumo #2

O sistema pronominal dos demonstrativos nas páginas de jornais de Uberlândia e Uberaba na década de 1950
Talita de Cássia Marine (talita.marine@gmail.com)
Juliana Bertucci Barbosa (julianabertucci@gmail.com)

Partindo de uma perspectiva sócio-discursiva dos fenômenos da linguagem, que enxerga a língua como uma realidade dinâmica e multifacetada, neste trabalho é apresentado um estudo de caráter descritivo-comparativo dos pronomes demonstrativos este, esse e aquele conforme ocorrem em determinados gêneros textuais, a partir de um corpus constituído por exemplares da década de 1950 do jornal uberlandense “Correio de Uberlândia” e do “Lavoura e Comércio”, de Uberaba. É importante destacar que o fato de optar-se pelo jornal como corpus linguístico, justifica-se por, tal como Bonini (2003) - que analisou o gênero jornalístico e os seus subgêneros em diferentes obras - entender-se que existe um rol diverso de gêneros que circulam no ambiente do jornal - ora mais, ora menos formais - e que isso representa rico material de pesquisa que pode e deve ser utilizado por diversas áreas das Ciências Humanas, especialmente aos estudos de natureza (sócio)linguística. Assim, pretende-se com esta pesquisa, observar a configuração – binária ou ternária – em que se encontram os pronomes demonstrativos nas páginas dos jornais supracitados, especialmente na década de 1950. Para isso, foram consideradas as formas demonstrativas variáveis este, esse e aquele, analisadas a partir da observação de seus usos exo- e endofóricos. É importante destacar que este estudo foi parcialmente embasado pelo modelo teórico-metodológico da sociolinguística laboviana (cf. Labov; 1972; 1994), sobretudo por não acreditar-se na existência de um sistema pronominal terciário bem marcado, baseado nas três pessoas do discurso (eu/ tu (você)/ ele), tal como propõem as gramáticas normativas da Língua Portuguesa.

Resumo #3

A relevância de grupos de fatores semânticos (animacidade e especificidade) na realização do OD anafórico no PB e no PE
Niguelme Cardoso Arruda (nigcardoso@hotmail.com)

O desenvolvimento de estudos de natureza empírica pressupõe a organização de um corpus representativo, que possibilitem ao pesquisador sustentar ou refutar suas hipóteses. No caso de um estudo linguístico, essa amostra deve possibilitar a observação do comportamento dos falantes de uma língua (ou variedade linguística) em relação a fenômenos linguísticos. Em estudos norteados pelo modelo teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista, proposto por Weinreich, Labov e Herzog (1968), Labov (1972, 1982,1994, 2001), a base empírica que garantirá ao pesquisador o desenvolvimento de sua investigação se organiza, prioritariamente, a partir de amostras da língua em sua modalidade falada (principalmente nas já conhecidas entrevistas espontâneas), uma vez que, de acordo com esse modelo teórico-metodológico, é nessa modalidade de língua que poderão ser observadas as primeiras variações linguísticas. Assim, dada a natureza descritivo-analítico-comparativa deste estudo, posto que se propôs investigar um fenômeno linguístico de natureza sintática (a realização do objeto direto anafórico) no português brasileiro e no português europeu, fez-se necessária a organização de corpora que permitissem, sobretudo, o estabelecimento da comparação entre tais variedades. Por essa razão, a constituição dos corpora tomou com princípio o fato de que os falantes estariam sujeitos a situações semelhantes de produção de fala, uma vez que a organização de cada amostra seguiu os mesmos critérios. Assim, os programas de auditório veiculados por emissoras de televisão de canal aberto, tanto no Brasil quanto em Portugal, se mostraram como um contexto de uso da língua em sua modalidade falada, possibilitando o estabelecimento de comparação entre as variedades linguísticas. Permitiu, ainda, conforme Duarte (1989, p. 20), verificar o uso linguístico em um registro de fala que atinge os países de ponta a ponta, exercendo, simultaneamente, uma força inovadora e normalizadora.


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