Proponho defender uma concepção de texto como uma rede, de natureza dialógica (BAKHTIN) e da ordem do cotidiano (CERTEAU). Para isso, parto de uma experiência com círculos de leitura realizada com mulheres do município de Antonio Cardoso/BA, as quais têm pouco ou nenhuma escolaridade. A experiência coloca em destaque a ação de leitura de textos literários, predominantemente, de modo a possibilitar certo diálogo com experiências que as levassem a refletir sobre seu cotidiano e sua condição na sociedade. Nesta interface cotidiano/escritura (texto literário), perguntas se colocam: qual a natureza do texto num espaço de extensão universitária em diálogo com um espaço cotidiano de mulheres não-acadêmicas? Como o texto se insere neste intervalo (diálogo) mulheres de um fazer acadêmico/mulheres de um fazer cotidiano? Qual a função da escritura/leitura do literário neste espaço? Como explicar o funcionamento de textos e de sua produção de sentidos em circulação nestas condições de leitura? Procedo à análise de depoimentos e de eventos de leitura (os círculos) acontecidos, neste espaço intervalar, para discutir o caráter dialógico cotidiano do texto.
|