P21. Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do Português (Comunicações dentro de Projetos)

A VARIAÇÃO NA CONCORDÂNCIA VERBAL DE TERCEIRA PESSOA DO PLURAL NAS VARIEDADES BRASILEIRA E EUROPEIA E AS HIPÓTESES NEOGRAMÁTICA E DIFUSIONISTA
ISABEL DE OLIVEIRA E SILVA MONGUILHOTT 1
1. UFSC - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
monguilhott@hotmail.com



Investigamos, neste trabalho, a relação entre as hipóteses neogramática e difusionista e os grupos de fatores saliência fônica e paralelismo formal no condicionamento da variação da concordância verbal de terceira pessoa do plural. De acordo com Oliveira (2003, p.605), a hipótese neogramática prevê que “as mudanças sonoras não têm exceções; são condicionadas apenas por fatores fonéticos; são foneticamente graduais e lexicalmente abruptas” [grifos nossos]. Os neogramáticos defendem que a mudança de som é sempre gradual, sempre regular, afetando todas as palavras ao mesmo tempo. Já a hipótese difusionista, ao contrário, prevê que as mudanças sonoras são foneticamente abruptas e lexicalmente graduais. Na análise de uma amostra de fala de trinta e duas entrevistas gravadas, dezesseis das quais realizadas com informantes de Florianópolis (PB) e dezesseis de Lisboa (PE), estratificadas de acordo com idade e escolaridade, observamos quanto ao grupo de fatores saliência fônica, que a variação na concordância verbal de terceira pessoa do plural parece atestar a hipótese difusionista, já que houve uma queda mais acentuada nos contextos menos salientes e só depois os contextos mais salientes foram sendo atingidos, indicando, desta forma, uma mudança lexicalmente gradual, em que os itens menos salientes vão sendo atingidos primeiro, seguidos dos itens mais salientes. Já em relação ao grupo de fatores paralelismo formal, os resultados gerais atestam a hipótese neogramática que prevê um princípio mecânico agindo sobre esse grupo de fatores quando se constata que a queda nas marcas de plural nos elementos anteriores influencia na queda da marcação de plural nos verbos. Observa-se queda regular das marcas de plural em todos os verbos que vêm precedidos de um zero fonético anterior, e, ao contrário, manutenção regular do plural para os verbos que vêm precedidos de marcas de plural.


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