A heterogeneidade linguística no Brasil e a necessidade de um ensino de língua materna que respeite as diferenças socioculturais e linguísticas dos alunos já estão bem comprovadas. Apesar do fato, ainda há desrespeito às peculiaridades linguísticas de grande parte dos educandos, que também não consegue pleno acesso ao código-padrão, problema que há muito inquieta os sociolinguistas, que, atualmente, questionam a contribuição da Sociolinguística para o desenvolvimento da educação em língua materna no Brasil. Sabendo que a causa primária do fracasso educacional são os preconceitos vigentes em nossa sociedade e que é necessário o “desenvolvimento de uma pedagogia sensível às diferenças sociolinguísticas dos alunos” (Bortoni-Ricardo, 2005), resolvemos investigar a atitude do professor em relação à variação linguística e analisar o livro didático com base na aplicabilidade dos conceitos sociolinguísticos ao ensino do português. Para isso, aplicamos um questionário a professores do 6º ao 9° ano do Ensino Fundamental de uma cidade fluminense, para avaliar o espaço da variação em suas aulas, a reação dos alunos ao tratamento da variação, o papel do livro didático nessa abordagem, entre outras questões. Analisamos, igualmente, materiais didáticos usados por esses professores para verificar se, na proposta de ensino neles contida, é contemplado o estudo da variação de acordo com os recentes estudos da Linguística. Os primeiros resultados dessa análise demonstram que os livros tratam do tema, mas as atividades propostas são, geralmente, artificiais e desligadas do conteúdo transmitido. Quanto aos professores, parecem julgar o assunto pertinente, pois afirmam trabalhar o conteúdo de variação durante todo o curso, mas reclamam do caráter insatisfatório do material didático bem como de reações preconceituosas de alguns alunos. O que salta aos olhos, no entanto, é o tratamento da variação apenas como um conteúdo programático e que não reflete a conscientização do significado que ela evidencia.
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