O objetivo deste estudo é investigar avaliações de ordem moral na fala de uma juíza no contexto institucional de Audiências do Juizado Especial Criminal. A análise privilegia os estudos de Shi-xu (1992, 2000) e Linde (1997), tendo em vista que muitas avaliações por nós estudadas só ganham teor avaliativo quando considerado o contexto de fala de modo mais amplo, tal como defendem os autores. A partir desse aporte teórico, empreendemos um estudo de natureza qualitativa e interpretativa com base em dados reais de fala-em-interação institucional (DREW e HERITAGE, 1992), gerados em Audiências Preliminares e em Audiências de Instrução e Julgamento do Juizado Especial Criminal de uma cidade de Minas Gerais, Brasil. Nossa perspectiva de trabalho é a da Sociolinguística Interacional (GUMPERZ, 1999), que tem como uma de suas metas analíticas mostrar como os indivíduos usam a fala para atingir seus objetivos comunicativos em situações reais. Utilizamos ainda como base analítica pressupostos da Análise da Conversa Etnometodológica, no tocante à transcrição dos dados e à análise da organização sequencial dos turnos de fala (SACKS, SCHEGLOFF e JEFFERSON, 1974). Os resultados da análise mostram que a Juíza faz uso de avaliações de cunho moral preferencialmente na fase de coleta de depoimentos, mas também foram encontradas avaliações desse tipo no fechamento das audiências ou no intervalo entre elas. Em todos os casos, as avaliações parecem estar orientadas para o cumprimento do mandato institucional nessas audiências. Na fase de coleta de depoimentos, as avaliações da juíza são orientadas para a apuração dos fatos sob julgamento e para a conciliação, ambas tarefas a ser cumpridas nesse tipo de atividade institucional. As avaliações morais que ocorrem em momentos não previstos pelo mandato institucional (MAYNARD, 1984), embora não atuem no aqui e agora da interação, contribuem prospectivamente para as ações empreendidas pela juíza.
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