S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Comunicações coordenadas)

ASPECTOS MORFOSSINTÁTICOS DAS LÍNGUAS INDÍGENAS AMAZÔNICAS KATUKINA-KANAMARI, MATIS E MANXINÉRI.
ZORAIDE DOS ANJOS GONÇALVES DA SILVA VIEIRA (zoraide.anjos@gmail.com)
UNIR - UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA

Katukina-Kanamari, Matis e Manxinéri são três línguas indígenas amazônicas geneticamente classificadas em três famílias: Katukina(isolada), Pano e Arúak. Sobre Katukina-Kanamari, os padrões sintáticos e a noção do papel de "sujeito" numa língua ergativa serão abordados.O processo de formação e a função do mecanismo da antipassiva norteiam a comunicação sobre Matís. Já em Manxinéri, serão discutidas as regras que vinculam sintagma nominal e verbal bem como a classificação tipológica da língua cuja base é o alinhamento sintático resultante das funções das diferentes funções das marcas de pessoa.

Resumo #1


Zoraide dos Anjos Gonçalves da Silva Vieira (zoraide.anjos@gmail.com)

Katukina-Kanamari, língua falada no sudoeste da Amazônia por cerca de 2.200 pessoas, apresenta padrão morfológico e sintático fortemente ergativos. Este trabalho tem por objetivo apresentar que o padrão de alinhamento identificado nas construções verbais bivalentes e monovalentes é de tipo ergativo-absolutivo. Isto significa dizer que o argumento interno da construção bivalente é marcado com o clítico de caso estrutural ergativo -na= e o argumento externo das construções bivalentes e monovalentes não recebe marcação morfológica. Convém dizer que o clítico –na= é multifuncional, pois indica: (i) o caso ergativo nas construções verbais bivalentes; (ii) o caso genitivo nas construções nominais bivalentes; e (iii) o objeto de posposição nas construções posposicionais. No que se refere à acessibilidade dos argumentos aos processos sintáticos, tais como: elisão, focalização, pronominalização e nominalização, observa-se que o argumento externo (paciente) acessa de forma direta tais processos. De maneira distinta, o argumento interno (agente) está habilitado a acessar tais processos mediante mudanças na estrutura formal por meio da adição do prefixo de antipassiva -wa. Ao associar-se wa- a um verbo bivalente, esse bloqueia a posição do argumento interno da construção bivalente. Em consequência desse bloqueio, não é mais possível ao verbo bivalente acessar o sintagma nominal marcado com caso ergativo -na= (Anjos: 2011). Tomando como base a escala de acessibilidade para os processos de comportamento e controle de Keenan (1976a), dizemos que, em Katukina-Kanamari, o argumento externo demonstra maior acessibilidade aos processos sintáticos do que o argumento interno da construção bivalente. Tendo em vista que Keenan assume que o sintagma nominal na função de sujeito ocupa a posição mais alta na hierarquia da acessibilidade sintática, dizemos que o argumento externo em Katukina pode ser classificado como o sujeito. Conclui-se que a ordem nas construções dessa língua é predicado – sujeito.

Resumo #2


Rogério Vicente Ferreira (olivcaroline@gmail.com)

O presente trabalho apresenta um estudo da antipassivização em comparação da língua Matis com as outras línguas da família Pano. Língua Matis pertence à família Pano, do subgrupo Mayoruna, o povo vive no noroeste amazônico, possui uma população de aproximadamente 350 pessoas, sendo praticamente monolíngues. A construção antipassiva, esse tipo de sentença é feita, em matis, a partir da sufixação do morfema {-an} e pelas bases verbais supletivas antipassivas, como por exemplo, tuska- “furar alguém” e tuske- “furar”. Além desse tipo de ocorrência, também se observa que alguns verbos ao receber o morfema antipassivo, passam apresentar uma função aspectual como, por exemplo, is- “ver” quando derivado torna-se is-an “ver constantemente, olhar intensamente” (aspectual interativo) e kues- “bater” antipassivizado torna-se kues-an “bater muitas vezes, repetidas vezes” (aspectual de reiteração). Esse tipo de ocorrência pode ser vista também nas línguas Chamorro e Warrungu (Palmer, 1994: 183). Assim, observamos o funcionamento da antipassiva nesta língua é compreendermos melhor o funcionamento morfossintático dentro dessa família linguística.

Resumo #3


Edineide dos Santos Silva (essal@bol.com.br)
Daniele Marcelle Grannier (danielemarcellegrannier@gmail.com)

O objetivo deste trabalho é apresentar uma descrição dos pronomes livres e dos afixos pessoais da língua Manxinéri, uma língua indígena falada na fronteira do Brasil com o Peru. A análise gramatical que permitiu a depreensão dessas marcas pessoais é de natureza funcional-tipológica e utiliza a terminologia categorial e sintática de Dixon (2010). A descrição a ser apresentada enfatiza a distribuição transcategorial dos afixos pessoais, destacando a sua compatibilidade com temas nominais e verbais. Distinguem-se sete marcas pessoais: duas para a primeira pessoa, duas para a segunda e três para a terceira. Nas pessoas do discurso (primeira e segunda) verifica-se uma oposição de número enquanto na terceira pessoa (ou não-pessoa) há distinções de gênero e número. Serão discutidas também as regras de concordância que vinculam o sintagma nominal ao sintagma verbal e a classificação da língua do ponto de vista tipológico, com base no alinhamento sintático decorrente das diferentes funções das marcas de pessoa.


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