S4. Dialetologia e Sociolinguística (Comunicações coordenadas)

DESVENDANDO OS CAMINHOS DE NASCENTES: ESTUDOS SOBRE O LÉXICO E A DELIMITAÇÃO DE ÁREAS DIALETAIS
APARECIDA NEGRI ISQUERDO (anegri.isquerdo@terra.com.br)
UFMS - UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

O Projeto Atlas Linguístico do Brasil tem como meta a elaboração de um atlas linguístico do Brasil, pautando-se nos parâmetros da Geolinguística Pluridimensional. Esta sessão discute casos de variação semântico-lexical documentados em localidades do interior das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com vistas a verificar a pertinência da divisão dialetal do Brasil proposta por Nascentes (1953). Para tanto, são analisados dados lexicais recolhidos por meio de três perguntas do Questionário Semântico-Lexical: 167/amarelinha); 175/interruptor de luz) e 202/boteco.

Resumo #1

DENOMINAÇÕES PARA "BOTECO" NAS REGIÕES SUL, CENTRO-OESTE E NORTE DO BRASIL A PARTIR DO CORPUS DO PROJETO ALiB
Aparecida Negri Isquerdo (anegri.isquerdo@terra.com.br)

Este trabalho discute as denominações atribuídas ao “lugar pequeno, com um balcão, onde os homens costumam ir beber cachaça e onde também se pode comprar alguma coisa” (pergunta 202, do Questionário Semântico-Lexical do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB)) por 320 habitantes de localidades do interior de 12 Estados pertencentes às regiões Norte (Amapá, Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Tocantins), Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) do Brasil que somam 80 localidades da rede de pontos do Projeto ALiB. Nas localidades do interior o Projeto ALiB entrevistou 04 informantes, com Ensino Fundamental (incompleto/completo), duas faixas etárias (18 a 30 anos e 50 a 65 anos), de ambos os sexos, nascidos e criados na localidade. O estudo tem como objetivo traçar a distribuição diatópica das unidades lexicais analisadas, buscando identificar possíveis isoléxicas no espaço contemplado pelo estudo, além de verificar em que proporção elas demarcam os espaços pertencentes aos falares amazônico (região Norte) e aos falares sulistas (regiões Centro-Oeste e Sul), preconizados por Nascentes (1953). O estudo orienta-se pelos pressupostos teóricos da Geolinguística Pluridimensional (THUN, 1998) e considera o fenômeno da interseção urbano - rural e sua relação com o repertório lexical documentado, além da consequente relação entre o tipo do referente, o perfil dos informantes e a natureza da designação atribuída ao conceito selecionado para o estudo.

Resumo #2

UM ESTUDO DAS VARIANTES LEXICAIS PARA “INTERRUPTOR DE LUZ” EM CORPUS DO ALiB NAS REGIÕES SUDESTE E SUL
Vanderci de Andrade Aguilera (vanderciag@gmail.com)

Este estudo traz como proposta discutir a possibilidade de traçar isoléxicas a partir de dados coletados em 117 localidades que compõem a rede de pontos do ALiB no interior dos estados das regiões Sudeste e Sul. O corpus constitui-se das respostas dadas por 468 informantes para a Questão 175 – “interruptor de luz” - do Questionário Semântico-Lexical do Atlas Linguístico do Brasil - ALiB. Em cada uma dessas localidades, foram inquiridos quatro informantes do nível fundamental de escolaridade, estratificados segundo as variáveis sexo e faixa etária. A pesquisa teve como origem a proposta de Nascentes (1953) sobre a divisão dialetal do Brasil, ao considerar que, no espaço ocupado por esses sete estados (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), distribuíam-se os subfalares baiano, fluminense, mineiro e sulista, que se reuniriam para compor os falares do Sul. Trata-se de uma pesquisa alicerçada nas reflexões de Chambers; Trudgill (1980) e nos princípios da Geolinguística Pluridimensional, defendida por Thun (1998) ao chamarem a atenção para uma Dialetologia que não se ocupe apenas das variantes na perspectiva areal ou diatópica, mas que agregue, na coleta e análise dos dados, outros parâmetros extralinguísticos.

Resumo #3

A BRINCADEIRA AMARELINHA EM ALGUNS ESTADOS DO NORDESTE BRASILEIRO: ESTUDO COM BASE NO CORPUS DO PROJETO ALiB
Silvana Soares Costa Ribeiro (silvanaribeiro25@gmail.com)

Trata-se, nesta comunicação, de um estudo léxico-semântico de perspectiva onomasiológica, que tem por objetivo apresentar alguns resultados de pesquisa para delimitação dos Falares Baiano e Nordestino descritos por Nascentes (1953). Relaciona-se com a Tese de Doutorado, Ribeiro (2012), na qual se demonstrou a área do Falar Baiano. A pesquisa fundamenta-se nos princípios da Dialetologia e da Geolinguística Pluridimensional e vincula-se ao Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), que tem por objetivo a descrição da realidade linguística brasileira, no que tange à língua portuguesa. O corpus deste trabalho constituiu-se a partir dos dados coletados pelo ALiB, através de um segmento do Questionário Semântico Lexical (QSL): Jogos e diversões infantis - brincadeira amarelinha. A amostra é constituída de dados de inquéritos da rede de pontos da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Quanto à metodologia, segue-se a prevista no ALiB: os informantes pesquisados são de ambos os gêneros e de duas faixas etárias e estão organizados em 2 perfis de escolaridade: a) alfabetizados - ensino fundamental incompleto e b) nível superior (em capitais). Estuda-se uma brincadeira infantil na qual o brincante deve, com apoio numa só perna, saltar casas (quadrados), em sequência, de uma figura riscada no chão, evitando aquela que contém um objeto (pedra, caco de telha) que foi jogado em direção a uma delas. As variantes registradas em dicionários são: academia, amarelo, macaca(o), maré, marela e sapata. No estudo realizado, foram documentadas: academia, amarelinha, macacão, macaquinho, macaco, maê, maré, por exemplo. No trabalho, além da variação linguística que exibe as principais variantes para a brincadeira e a difusão desta pela área geográfica estudada, são abordadas também questões referentes à execução da brincadeira: forma como são desenhadas as casas da figura e regras de aplicação. Apresentam-se mapas temáticos através dos quais se observa a distribuição das ocorrências documentadas.


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