Por meio do suporte teórico da semiótica francesa, propomos a análise de cinco filmes brasileiros: Cidade de Deus, Olga, Dois Filhos de Francisco, Salve Geral e Tropa de Elite 2. Considerando que esses trabalhos foram selecionados pelo Brasil para concorrerem a uma vaga na disputa ao OSCAR de melhor filme estrangeiro, e que essa seleção visa não apenas representar para o mundo a qualidade da produção cinematográfica nacional, mas também uma imagem do próprio país, objetivamos verificar em que medida a configuração desses filmes está relacionada à criação de um sentimento de brasilidade; além disso, importa-nos investigar de que maneira esse sentimento é significado, o que nos leva, igualmente, à abordagem dos modos de geração do sentido desses textos. Para tanto, mantemos atenção, por um lado, na inter-relação entre o plano da expressão e o plano do conteúdo de cada um dos filmes e, por outro, na intertextualidade que se estabelece entre eles. Resultados parciais dessa pesquisa indicam um jogo entre operações de triagem e de mistura que caracteriza a nossa sociedade, e que se expressa, em especial, pelos recursos da linguagem visual. Em Dois Filhos de Francisco assistimos ao êxodo rural brasileiro acompanhado da segregação sócio-espacial urbana, minuciosamente desenvolvida em Salve Geral, e revestida de contornos extremos no processo de favelização descrito em Cidade de Deus. Já naturalizado em Tropa de Elite 2, esse processo conduz à denúncia sobre a origem de sua sustentação, evidenciando a tensão de uma moralidade desconfigurada, que não encontra mais qualquer delimitação entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Nesse contexto em que todos os meios justificam a satisfação dos interesses pessoais, a luta pelo bem comum é ofuscada, e seu idealismo sufocado pela câmara de gás que, em Olga, representa a radical triagem operada pelo Estado brasileiro.
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