Este trabalho consiste em uma documentação linguística do léxico especializado da cultura do açaí e apresenta, como produto final, um glossário socioterminológico dessa especialidade. Como fundamentação, utilizou-se o aporte teórico da Socioterminologia, representada por Gaudin (1993) e Faulstich (1995, 1996, 1998 e 2010), cujos estudos focalizam o aspecto social e a variação linguística dos termos. O corpus oral, que constitui o banco de dados da pesquisa, é composto por trinta e seis textos de entrevistas realizadas in loco com os agentes envolvidos na cadeia produtiva do açaí, dentre eles, trabalhadores rurais, produtores, técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos, pertencentes aos municípios de Igarapé Miri, Cametá e Abaetetuba, considerados, segundo dados do IBGE (2011), como os maiores produtores da região. Através dos critérios de frequência, pertinência temática e funcionalidade no contexto em uso, foram identificadas 578 unidades terminológicas e suas variantes com o auxílio do software WordSmith Tools. Os termos selecionados e em seguida validados junto aos informantes foram distribuídos nos campos semânticos do plantio, colheita e beneficiamento, correspondentes a três etapas da cadeia produtiva do açaí, e inseridos no programa LexiquePro, software responsável pela organização dos verbetes. O estudo, além de mapear o léxico de especialidade de uma cultura da região, representa uma contribuição para a Socioterminografia por propor um glossário que contempla a variação da terminologia, situando assim o falante no panorama de diversidades linguísticas em que se realiza o termo.
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