S6. Filologia e Linguística Histórica  (Comunicações)

O EXAME DO GRAFEMA COMO REPRESENTAÇÃO DA ORALIDADE EM TEXTOS ESCRITOS EM PORTUGUÊS BRASILEIROS OITOCENTISTA
VALÉRIA NETO DE OLIVEIRA MONARETTO 1
1. UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
monar@terra.com.br



A investigação da escrita em relação à representação fonológica tem sido realizada por inúmeros pesquisadores, principalmente sob enfoque da aquisição, como Cagliari (1981); Abaurre (1985), Tenani (2010), dentre outros. Já a investigação em textos de português antigo tem sido feita por Telles (1990, 2013), Massini Cagliari (1995) e, de português brasileiro, por Monaretto (2005), Magalhães (2006), Hora e Telles (2010), Battisti (2010), dentre outros. Nestes trabalhos, há uma indagação geral: o dado escrito pode representar a oralidade? Segundo Lass (2000), a língua falada pode ser refletida na língua escrita. “Erros” ou “desvios” ortográficos podem ser interpretados como representações fonéticas. Entretanto é preciso discernir entre o que é lixo e variação puramente gráfica de ortografia significativamente fonológica. No caso de textos escritos em português no início do século XIX, a identificação de possíveis pistas de variantes linguísticas fonológicas deve seguir certa metodologia, pois é preciso conhecer as tradições de escrita de época e abstrair estratégias complexas de inferências baseadas em considerações históricas e metalinguísticas. Além disso, é importante também estabelecer caminhos para uma estratificação dos redatores de textos produzidos nessa época, que se diferenciam por graus de letramento, conforme Barbosa (2011) e de habilidade ortográfica. Este trabalho procura identificar algumas formas gráficas encontradas em textos escritos em português oitocentista no Rio Grande do Sul, que ilustrem essa taxonomia proposta por Lass, na tentativa de se delinear um perfil metodológico para a investigação de dados fonológicos em textos escritos em português antigo.


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