A evidencialidade é uma categoria gramatical que se refere à fonte da informação. Marcadores de evidencialidade podem indicar a atitude do falante quanto à validade de determinada informação, mas não são obrigados (cf. Aikhenvald 2003; 2011).
Nem todas as línguas possuem marcas gramaticais específicas em seus sistemas para a codificação da evidencialidade. Nestes casos, outras categorias podem cumprir essa função como significado secundário: expressões (SO), verbos lexicais, expressões adverbiais, complementadores, partículas, verbos modais. O objetivo principal do trabalho é mostrar que mais do que os verbos lexicais, são as construções do tipo [ver + que + complemento finito] e do tipo [ver + complemento não finito] responsáveis pela expressão da evidencialidade. A hipótese geral desta pesquisa é a de que não se trata da polissemia do item verbal em si que possibilita a leitura da evidencialidade, mas a construção como um todo, a partir da interação entre os itens. Com isso, o objetivo geral é verificar o padrão das construções que expressam evidencialidade e suas especificações – se direta ou indireta – com o verbo ver (pessoa, tempo verbal, integração entre cláusulas e o processo de gramaticalização, entre outros fatores), a partir da coleta de dados no corpus D&G.
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