P21. Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do Português (Comunicações dentro de Projetos)

CONCORDÂNCIA VERBAL E SÓCIO-HISTÓRIA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
SILVANA SILVA DE FARIAS ARAUJO 1
1. UEFS - Universidade Estadual de Feira de Santana
siluefs@ig.com.br



Apresentam-se alguns dos resultados obtidos com a pesquisa sobre a variação na concordância verbal de número com a terceira pessoa do plural, que resultou na tese intitulada “A concordância verbal no português falado em Feira de Santana-Ba: Sociolinguística e Sócio-história do português brasileiro”, defendida na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 2014. O estudo teve por objetivo central discutir a formação e a caracterização atual da realidade sociolinguística brasileira. Investigou-se, com os pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista (LABOV, 1972, 1994, 2001, 2003), bem como de estudos sócio-histórico-demográficos, como se encontram distribuídos os dois polos sociolinguísticos em Feira de Santana-Ba, a saber o culto e o popular. Foram analisadas 48 entrevistas, sendo 36 da norma popular (12 gravadas na zona rural e 24 na zona urbana) e 12 da norma urbana culta. Constatou-se que, não obstante as contínuas mudanças ocorridas no Brasil a partir do século XX, ainda há uma bipolarização de normas no português falado na comunidade de fala analisada. Essa constatação empírica foi interpretada como um reflexo da polarização sociolinguística que ainda caracteriza a sociedade brasileira na atualidade (LUCCHESI, 2001, 2002 e 2006). Assim, nesta comunicação, pretende-se focalizar os resultados das variáveis linguísticas saliência fônica, realização e posição do sujeito e concordância nominal no SN sujeito e das variáveis socioculturais faixa etária, escolaridade e diazonalidade. Conforme será argumentado, os resultados fornecidos pelo programa estatístico GoldVarb X revelam que a formação sócio-histórica do português brasileiro, marcada pela bipolarização de normas linguísticas, reflete nos resultados, de modo que, quando são cotejados dados da norma popular e da norma culta, os mesmos se opõem. Analisaram-se 1969 dados extraídos em entrevistas sociolinguísticas pertencentes ao acervo do projeto A língua portuguesa do semiárido baiano – Fase 3, sediado no Núcleo de Estudos da Língua Portuguesa (NELP), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).


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