S6. Filologia e Linguística Histórica  (Pôsteres)

A CARREIRA DE ANGOLA NO SÉCULO XVI: CONHECENÇAS DA COSTA.
ROSELI SANTANA DO NASCIMENTO MELO 1, CÉLIA MARQUES TELLES 1
1. UFBA - Universidade Federal da Bahia
rosemelodi_cordas@yahoo.com.br



No manuscrito 1507 da BNL, entre os roteiros de viagem em língua portuguesa, encontra-se o roteiro da Carreira de Angola. Um dos elementos interessantes desse roteiro é a representação em croqui das chamadas conhecenças. Uma das lexias relevantes nos roteiros é exatamente a forma conheçença, ao lado de sinais (TELLES 1988). De acordo com alguns estudos lexicais, a edição de textos históricos é uma excelente fonte de dados para o estudo do léxico numa perspectiva histórica (BIDERMAN, 1998; ABBADE, 2006; QUEIROZ, 2006; TELLES, 2012; Krieger, 2010). Esta análise é fundamental tanto para o resgate e para a manutenção da memória histórica, cultural e linguística, como para a compreensão do processo de nominação e cognição da realidade. Nesta direção, tem-se como objetivo apresentar a edição do roteiro de navegação Demostração Das tterras. Do loanguo. Caminho de angola, que apresenta uma mesclagem da linguagem verbal com a linguagem pictórica. A partir da edição, visa-se destacar as unidades léxicas que representam as conhecenças da Costa de Angola, ao lado de outras lexias que caracterizam o vocabulário de navegação no século XVI, que vêm a construir uma espécie de mapa verbal, elaborado e utilizado para registrar a descoberta do caminho, tornando-se um guia de navegação para os pilotos. Para tanto, serão utilizados dicionários técnicos e glossários de navegação (ALBUQUERQUE, 1994; COSTA, 1960; TELLES, 1988) e os dicionários de Bluteau (1712-1827) e Vieira (1871-1874). Tais unidades léxicas e suas definições constituem-se, assim, uma demonstração da forma como o português quinhentista se apropriou cognitivamente da nova realidade investigada e do modo como esses registros devem ser considerados importantes para o conhecimento histórico e linguístico, dentre outros.


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