PADRÕES DE CONCORDÂNCIA VERBAL DE 3ª PESSOA NO PORTUGUÊS: UM BALANÇO DAS CONTRIBUIÇÕES DO PROJETO 21 DA ALFAL SILVIA RODRIGUES VIEIRA 1,2 1. UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, 2. FAPERJ - FUNDAÇÃO DE AMPARO ÀPESQUISA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO silviavieira@hotmail.com |
A concordância verbal tem sido considerada importante tópico para a caracterização de variedades do Português. Vários pesquisadores demonstraram que o Português do Brasil (PB) apresenta fortes contrastes motivados por restrições de natureza social que estão relacionados não só a níveis de instrução e classes sociais, mas também à oposição entre dialetos rurais e urbanos. Por outro lado, não há evidências que permitam postular a existência de padrões similares no âmbito do Português Europeu (PE). Quanto às variedades africanas do Português, também não se tem conhecimento de resultados sociolinguísticos variados. O presente estudo tem por objetivo analisar a presença ou ausência de marcas morfológicas de terceira pessoa em verbos, considerando novas amostras com base na fala de indivíduos estratificados por sexo, faixa etária e nível de instrução. Levando em conta os pressupostos da Teoria da Variação e Mudança, controlaram-se variáveis linguísticas e sociais com apoio no pacote de programas Goldvarb-X, de tratamento estatístico. No que se refere à concordância de terceira pessoa do plural, os resultados indicam que há dois padrões em Português: uma regra semicategórica, típica do PE, e uma regra variável, típica do PB e da variedade de São Tomé. Além disso, os resultados demonstram que restrições linguísticas gerais – tais como a posição do sujeito, o traço semântico do sujeito ou mesmo o paralelismo discursivo – não são capazes de elucidar a origem histórica das variedades do Português, uma vez que supostamente podem atuar em qualquer língua.
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