Os estudos desenvolvidos por Silvia (2011), assim como experimentos
de campo realizados no campo do PROFLETRAS vêm oferecer subsídios ao Projeto de
Escola Inclusiva (Almeida, 2011) já aprovado e implementado pelo governo brasileiro,
como uma diretriz política educacional proativa. Com aspectos positivos e negativos,
entendemos que deva ser discutido como uma alternativa viável para assegurar direitos
iguais a todos os cidadãos com ou sem comprometimento do ponto de vista do
desenvolvimento (Relvas, 2011) em razão de fatores genéticos ou em decorrência de
variáveis exógenas (MAIA, 2011, vols I e II). Apresentamos reflexão sobre a
necessidade de imprimir cuidado redobrado na literacia, especialmente nos casos de
analfabetos funcionais (Mollica & Leal, 2009) e de sujeitos com déficit mental leve e
moderado, mas potencialmente capazes para o processo de alfabetização. Assim,
discutimos sobre a demanda de recursos distintos, indispensáveis para a construção da
lectoescrita (KLEIMAN, 1995). Oferecemos noções básicas referentes à temática da
aprendizagem da leitura e da escrita e algumas propostas concretas que podem ser
implementadas ao lidar com aprendizes de diferentes graus de dificuldade. Salientamos
que a proposição e a práxis de uma política de educação inclusiva, além de levar em
conta o amplo elenco de casos diferenciados, supõe assumir atitude sensível, flexível e
rigorosamente profissional para obter-se minimamente o sucesso pretendido na fase
incipiente da alfabetização. Defendemos que o letramento inclusivo não é utopia; ao
contrário, pode ser realidade nas salas de aula para alunos especiais, ainda que o
processo ocorra num ritmo mais lento. Apresentamos resultados de pesquisas com
portadores de Dislexia e de Síndrome de Down (Silva, 2011) os quais demonstram que
os desvios de leitura e escrita não são totalmente aleatórios, ainda que, em se tratando
de deficiência mental, cada caso deva ser avaliado isoladamente. Havendo adequada
estimulação desde tenra idade, a atipicidade dos sujeitos e suas dificuldades de
aprendizagem são superadas. Para tanto, a nova Escola deve contar com uma equipe
interdisciplinar (alfabetizador, fonoaudiólogo, psicólogo além de outros profissionais
afins) co o intuito de (a) desenvolver “olhar clínico” para as reais necessidades de cada
aluno e (b) efetivar/ potencializar o processo de letramento em toda a sua plenitude.
|