Em francês, o marcador de terceira pessoa do plural é composto de três segmentos ( -Vnt) – uma vogal, /V/, seguida de um arquifonema nasal, /N/, e de um segmento /t/ (cf. Shane, 1968). Para Plénat (1984), o referido marcador de plural é constituído, subjacentemente, da consoante nasal, seguida de /t/, não fazendo parte da sequência um segmento vocálico. Independentemente do ponto de vista adotado, ambas as visões assumem que o referido marcador carrega um elemento consonântico nasal, cuja manifestação se faz – especificamente em se tratando de verbos regulares para o presente trabalho – no tempo do futuro (e.g. parleront, parler[õ] ‘falarão’). Nos demais tempos verbais, esse marcador não se revela foneticamente. Em português, o sufixo número-pessoal de terceira pessoa do plural, segundo Câmara Jr. (1970), tem como marca geral o segmento nasal não plenamente especificado para ponto de articulação, /N/, cuja forma fonética se manifesta em quaisquer tempos verbais, diferentemente do francês. A partir da constatação de que esse aspecto da gramática francesa acarreta consequências de caráter fonético-fonológico para os falantes nativos do PB adquirindo a língua francesa como LE, é que o presente trabalho apresenta uma análise feita a partir de dados de fala de brasileiros em sala de aula de FLE, à luz dos pressupostos teóricos de Calabrese (2005), verificando também o papel de fatores de ordem linguística e extralinguística, sob GoldVarb 3.0, intervenientes nesse processo. Os resultados apontam para a pertinência do modelo teórico de Calabrese (op. cit.) a fim de explicar a aquisição de uma segunda língua, bem como sinalizam para a importância do ferramental estatístico de análise utilizado.
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