A existência de Tópicos Marcados vem sendo bastante debatida na literatura sobre o português, principalmente, no que concerne às suas propriedades sintáticas. Em virtude disso, boa parte dos estudos que tratam a questão busca argumentos que justifiquem as diversas possibilidades de introduzir um tópico marcado na estrutura da oração, focalizando, prioritariamente, as restrições quanto ao movimento de constituintes (cf. DUARTE (1987), GALVES (1987); (1998); (2001), entre outros). Dessa maneira, considerando a lacuna existente quanto a caracterização textual/ discursiva das construções de tópico em face de sua delimitação sintática, este trabalho visa desenvolver um estudo de interface sobre dois tipos específicos de tópicos marcados: o Tópico Pendente e o Deslocamento à Esquerda de Tópico Pendente. A partir de conceitos da Estrutura da Informação (cf. FRASCARELLI & HINTERHÖLZL (2007), BIANCHI & FRASCARELLI (2010)), bem como representações da Estrutura Retórica (cf. ASHER & VIEU (2005), ASHER et al (2011), entre outros), objetivamos, mais especificamente, identificar os contextos em que esses tipos de tópicos aparecem, que tipo de informação veiculam e que tipo de estrutura discursiva eles indicam. O corpus que constitui a base de análise dessa pesquisa são as elocuções formais e os diálogos disponibilizados pelo projeto NURC-SP (Norma Urbana Oral Culta – São Paulo), bem como entrevistas e artigos publicados na revista Veja, disponíveis em seu Acervo Digital. Uma análise preliminar dos dados indica que, apesar do caráter conservador dos textos jornalísticos e da possibilidade de haver edição nos textos e nas entrevistas da revista supracitada, é possível encontrar construções de tópicos pendentes similares às encontradas nos dados do NURC-SP, revelando o seu uso generalizado. Ademais, as ocorrências de tópicos pendentes encontradas evidenciam comumente uma estratégia de introdução de um novo tópico no discurso, associado ou não a um valor contrastivo e/ou focalizado.
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