Apresentamos resultados de pesquisa, concluída, por meio da qual foram investigadas práticas pedagógicas escolares, desenvolvidas por sujeitos-professores, fundamentados no pressuposto segundo o qual a reescrita de textos narrativos constitui espaço privilegiado para a ressignificação de sentidos silenciados, bem como para a emergência da autoria, por parte de estudantes brasileiros do ensino fundamental. O arcabouço teórico-metodológico que sustenta nossos estudos é constituído pela Análise de Discurso de matriz francesa (pecheuxtiana), alguns fios da psicanálise freudo-lacaniana e contribuições das ciências da educação. A formação do corpus se deu a partir de produções linguísticas escritas de vinte e dois estudantes, depoimentos escritos de professores, responsáveis por esses estudantes, a respeito de seus fazeres pedagógicos e observações das condições de produção em que se deram as atividades de reescrita. É possível afirmar que a reescrita de textos narrativos constitui-se em uma das possibilidades de o sujeito-educando mobilizar o seu interdiscurso, ocupar o lugar de intérprete-historicizado, (re)ver, (re)tomar e (re)significar sentidos silenciados, apagados ou ignorados no contexto escolar. Observamos que as atividades de reescrita contribuem para a construção da posição-autor, posto que requeiram que o sujeito do discurso retome, releia, organize e concatene suas ideias, argumentos. Os sujeitos-professores que ofereceram condições adequadas de produção para a realização da atividade de reescrita entendem-se como profissionais capazes de romper com o currículo oficial, que lhes dita normas, regras e prescrições a serem seguidas, mantendo-os presos a formações discursivas que lhes fazem acreditar em um contexto educacional e pedagógico estabilizado, marcado pela repetição de sentidos legitimados como única forma de aprendizagem. Consideramos que tanto a formação inicial quanto a continuada devem oferecer espaços discursivos para experiências de reescrita e ressignificação de sentidos.
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