As interações mãe-bebê nos primeiros 24 meses de vida da criança são atravessadas por uma riqueza do ponto de vista gestual e vocal. Buscamos nesse trabalho mostrar a diversidade multimodal, com ênfase nos elementos prosódicos presentes nas interações que se presentificam nos settings vocais (LAVER, 1980) diversos: vozes falseteadas, sussuradas, aspiradas e enfáticas se fazem presentes, propostas, inicialmente, pela mãe e aos poucos utilizadas pelo bebê. Tais settings vêm estruturados num envelope multimodal (ÁVILA NÓBREGA; CAVALCANTE, 2012) em que gestos, expressões faciais e vocalizações co-atuam compondo o tecido linguístico. E é nessa composição que se presentifica a aquisição da linguagem. Assim, postulamos a não separação entre os elementos linguísticos, paralinguísticos e extralinguísticos tal como destacado por Laver (1980), por entendermos que eles compõem aquilo que denominamos de matriz linguística. Em nossos dados, mostramos como estes settings multimodais vão se constituindo no envelope, sustentados pela noção de interação dialógica em cenas de atenção conjunta. Mostrando, inclusive, os processos de mudança de posição discursiva da mãe e do bebê ao longo da história dialógica, como também como tais elementos são alçados pelos participantes da díade em contextos distintos, isto é, o que cada um dos participantes da díade irá eleger como elemento a ser alçado neste envelope multimodal. Mostramos como nos primeiros 9 meses de vida da criança os settings e picos de altura elevados são realçados pela mãe e recortados pela criança na interação e em outros momentos, a partir dos 12 meses, diante da variedade vocal e gestual materna, a criança vai elegendo em seu próprio lugar discursivo estes elementos, ao assumir a enunciação nas trocas interativas.
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