Há uma vasta literatura contemplando a nasalização vocálica dentro fonética e fonologia. Neste trabalho, em estágio inicial, descreveremos e a analisaremos qualitativamente a ditongação nasal através de dados da dinâmica dos articuladores. Esse é um fenômeno de pouca frequência nas línguas naturais, ocorre no dialeto paulistano do Português Brasileiro (PB) - alvo deste - e no italiano, por exemplo. A ditongação nasal, em ditongos decrescentes /ãw˜/ em coda, geralmente, se caracteriza: acusticamente – pelo alongamento do glide, na movimentação dos formantes e surgimento do murmúrio nasal; aerodinamicamente – há um pico de fluxo de ar nasal entre o glide e a fronteira consonantal. Nossa hipótese é que durante a produção /w˜/, há um fechamento velar. No corpus há dez ditongos posteriores, entre orais e nasais. A saber: "pão, mão, são, cão, tão, pau, mal, sal, cal e tal". A frase-veículo "Digo _________ todo dia" foi repetida cinco vezes por um sujeito feminino, falante da variável paulistana, resultando em 50 estímulos. Os dados foram registrados numa cabine acústica no Gipsa-Lab, através do sistema EMA (Eletromagnético articulografo) da NDI Wave. Dez micro-sensores, ligados ao transdutor, foram colados no sujeito, nas seguintes regiões: incisivo superior, lábios superior, inferior, canto esquero e direito; ponta, corpo e dorso da língua, mandíbula e véu palatino. Os resultados parciais mostram que, a trajetória velo-faríngea inicia-se com o relaxamento muscular e, em seguida, o véu se abre. Concomitantemente, o dorso da língua se eleva em direção a região velar. Assim, força aplicada e o amortecimento fraco do sistema, faz o gesto da língua ultrapassar a posição alvo do glide (constrito) e fecha a cavidade oral, resultando no murmúrio nasal. A duração acústica desse depende do contexto sequente, nesse caso, ela cessa quando a consoante /t/ atinge a região alveolar, interrompendo a vibração das pregas.
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