P10. Estudo da Aquisição da linguagem (Comunicações dentro de Projetos)

DEMANDAS DIFERENCIADAS NA COMPREENSÃO DAS PASSIVAS E O DIAGNÓSTICO DO DEL
JOÃO CLAUDIO DE LIMA JÚNIOR 1,2, LETÍCIA MARIA SICURO CORRÊA 1,2
1. PUC-RIO - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2. LAPAL - Laboratório de Psicolinguística e Aquisição da Linguagem
juniorprofe@gmail.com



Sentenças passivas, em particular as passivas longas reversíveis cuja interpretação é crucialmente dependente de informação sintática, são tradicionalmente apontadas como árduas para a compreensão de crianças com desenvolvimento típico até cerca dos seis anos (Lima Júnior, 2012 e referências aí citadas), de crianças com diagnóstico/suspeita de DEL (van Der Lely, 1998; Silveira, 2002; Augusto & Corrêa, 2012) e de afásicos agramáticos (Grodzinsky, 1990; Grillo, 2005). No entanto, dificuldade de compreensão em condições específicas não necessariamente implica problemas para aquisição. Resultados recentes de produção com crianças com desenvolvimento típico sugerem que estas, desde tenra idade, dispõem do conhecimento gramatical necessário para formular passivas (Volpato et al., 2012; Messenger et al., 2012). A inadequação pragmática no uso de passivas seria uma possível causa da dificuldade usualmente constatada em tarefas de compreensão (O'Brien et al., 2006). A opção pelo uso de passivas é decorrente de demandas discursivas específicas (Corrêa & Augusto, 2007). Não é claro, contudo, em que medida a satisfação dessas demandas pelo falante poderia minimizar o custo total do processamento em tarefas de compreensão. Este estudo visa a verificar se adequação pragmática para passivas longas reversíveis atenuariam o custo de processamento na compreensão. Um experimento de identificação de imagens é reportado, no qual o contexto (feliz/infeliz para a passiva longa) e a relação entre o sujeito-da-passiva-teste e o tópico-do-discurso-em-andamento (sujeito igual ou diferente do tópico do discurso) são manipulados. Enquanto o primeiro fator pode direcionar a atenção para a informação veiculada pelo sintagma preposicionado, o segundo não necessariamente impediria a atribuição sistemática de papel temático agente ao sujeito da sentença. Crianças de 07-10 anos, com desenvolvimento típico, e crianças com suspeita de DEL (Déficit Específico da Linguagem) foram testadas. Resultados preliminares apontam para a direção prevista. Crianças com desenvolvimento típico parecem tirar mais vantagem das condições pragmaticamente adequadas.


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