Marco teórico: A Neurolinguística desenvolvida na UNICAMP, desde os primeiros trabalhos de Coudry (1986/1988), filia-se às abordagens sócio-histórico-culturais no estudo de questões relativas ao funcionamento cerebral e da linguagem, inspiradas pelos trabalhos de Vygotsky, Jakobson, Jackson, Freud, Luria, Benveniste, Franchi e Bakhtin, dentre outros. Dentre seus objetos de estudo, destacam-se as alterações de linguagem decorrentes de lesões cerebrais como afasias e demências, mas também relativas ao funcionamento “normal”. Objetivo: Apresentar o “Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias” (GELEP/CNPq), abrigado pelo LABONE (Laboratório de Neurolinguística)/UNICAMP, que desenvolve pesquisas na perspectiva sócio-histórico-cultural, destacando, nesta mesa, as afasias. Metodologia: Serão apresentados os princípios teórico-metodológicos que fundamentam as concepções de cérebro e de linguagem, nessa perspectiva, ressaltando dois conceitos da neuropsicologia luriana: o de “Sistema Funcional Complexo” e de “organização extracortical”, que permitem, por exemplo, questionar a semiologia tradicional das afasias e as correlações diretas entre substratos neurais discretos e processamento de unidades linguísticas (como categorias lexicais específicas). Serão apresentados dados de dois sujeitos afásicos – com quadros compatíveis aos chamados “agramatismo” e “jargonafasia”, primeiramente para ilustrar como é feita a transcrição dos episódios e a avaliação de linguagem (fonético-fonológicas, sintático-semânticas, pragmático-discursivas), mas também para dar visibilidade ao tipo de interação desenvolvida com os afásicos no CCA (Centro de Convivência de Afásicos) e aos efeitos dessas interações na reorganização discursiva desses sujeitos. Resultados: Ao longo de quase trinta anos, esta abordagem da Neurolinguística contribuiu significativamente para abrir novas possibilidades para enfrentar teoricamente e clinicamente questões relativas às alterações de linguagem nas patologias. Por estabelecer-se como área de Pós-Graduação na década de 80 na UNICAMP, hoje há pesquisadores e docentes atuando nessa perspectiva em vários estados do Brasil, multiplicando também os centros de convivência de afásicos.
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