Se é inegável a importância do acesso pelo aluno às novas tecnologias, é necessário, no entanto, analisar quais são as implicações desses recursos para o processo de ensino e aprendizagem língua. Nesse sentido, é fundamental compreender que tipo de tratamento a língua portuguesa tem recebido nesses conteúdos multimídias. Com base nisso, este trabalho, pautando-se nos pressupostos da sociolinguística educacional, buscou apreender que imagem de língua perpassa esses objetos. Foram, então, analisados 54 conteúdos digitais das coleções Velear e Teláris, destinadas ao Ensino Fundamental - 6o ao 9o Ano e inscritas no programa, focalizando-se a abordagem linguística e as possibilidades de uso em sala de aula. Constatamos nas obras em estudo que: a) a imagem da língua se vincula aos conceitos e métodos da gramática tradicional; b) não são consideradas as condições sociais de uso da linguagem; c) não há exploração dos gêneros textuais e dos usos linguísticos decorrentes; d) a análise linguístico-gramatical se restringe à estrutura frasal; e) o texto, quando considerado, torna-se apenas pretexto para o estudo de regras gramaticais; f) os conteúdos linguístico-gramaticais são abordados em situações didáticas artificiais; g) a perspectiva que predomina é a transmissiva, com a proposição de exercícios meramente mecânicos; h) as atividades não exploram a diferença entre usos orais e usos escritos; i) não há um trabalho consistente com a oralidade; j) a variação linguística é quase que completamente desprezada.
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