Nesta comunicação, apresentamos um recorte de um estudo sobre as construções apositivas em língua portuguesa. Essas construções são denominadas de aposto especificativo nas gramáticas tradicionais de língua portuguesa (BECHARA, 1989; CELSO CUNHA, 1994). São também chamadas de aposições restritivas (restrictive apposition, em QUIRK et al, 1985; MEYER, 1992); ou aposições fechadas (close appositions, em BLOOMFIELD,1979). O objetivo desse estudo foi propor uma descrição dessas construções de acordo com o modelo teórico da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD: MACKENZIE, 2008; KEIZER, 2005, 2007, 2008), dando ênfase à análise das categorias previstas no nível Interpessoal (Pragmático) e no nível Representacional (Semântico). Para tanto, identificamos, inicialmente, as construções apontadas como apositivas em gramáticas tradicionais e descritivas da língua portuguesa. Além disso, rastreamos estruturas correntes do português, semelhantes a construções do inglês, que são apontadas como apositivas restritivas por gramáticos e estudiosos da língua inglesa. As construções aqui formalizadas têm, em comum, o fato de os elementos em aposição inserirem-se em uma mesma unidade tonal ou, em outras palavras, de não haver uma pausa que separe os dois elementos ditos apositivos. Alguns exemplos, embora bastante semelhantes, são distintamente formalizados por alguma diferença, tais como o uso e o tipo de preposição, a natureza semântica e a forma da primeira e da segunda unidade da construção. Esse exercício de análise avaliou, portanto, a utilidade descritiva da formalização proposta pelo modelo da GDF na representação de aposições restritivas empiricamente diferentes.
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