P10. Estudo da Aquisição da linguagem (Comunicações dentro de Projetos)

A FALA NAS AFASIAS: DO ORGANISMO AO SUJEITO
MARIA DE FÁTIMA VILAR DE MELO 1
1. UNICAP - Universidade Católica de Pernambuco
vilardemelo@yahoo.com.br



O estudo das afasias nasceu no campo da neuropatologia no século XIX tendo Broca e Wernicke como teóricos de referência. As hipóteses prevalentes concerniam à corrente localizacionista, que reduzia a afasia aos seus aspectos orgânicos. O trabalho Jackson seguido pelo de Freud caminharam em sentido inverso. O trabalho de Freud, publicado em 1901, interroga o localizacionimo e recusa a noção de causalidade mecânica considerando o sintoma como uma “perturbação funcional” (FONSECA, 1995, p. 45). Esses trabalhos permitiram que a afasiologia ultrapassasse o campo biomédico. Jakobson (1963) inaugura, então, o estudo da afasia na linguística. Ancorado na obra de Saussure, propõe que as alterações de linguagem nas afasias devam ser pensadas como disfunções nos processos de funcionamento da linguagem: os processos metafóricos referentes à capacidade de seleção e substituição; os processos metonímicos concernentes à capacidade de combinação e contexto. Malgrado a importância do trabalho de Freud e de Jakobson, existem poucos estudos referentes às afasias em linguística e em psicanálise. A maior parte dos estudos empreendidos postula uma relação direta entre a ordem neurológica e a da linguagem, e está atrelada a correntes, cujo ideário preconiza a busca dos invariantes universais, a homogeneidade dos dados, evitando se defrontar com as questões que contrariam essa lógica. Entretanto, as pesquisas realizadas dentro de um viés atento à singularidade do sujeito falante (ver LIER-DE VITTO; FONSECA; LANDI, 2010; LIER-DE VITTO, ARANTES, 2007; FONSECA, 2002, VILAR DE MELO, 2012) revelam que as alterações da linguagem afásica atingem o sujeito e sua subjetividade e vice-versa. De modo que, as alterações da fala nas afasias resultam das imbricações entre quatro ordens: orgânica – (língua)gem - corporal e a subjetiva. Levar em consideração a linguagem e seu funcionamento nas afasias significa considerar tanto a ordem própria da língua como o laço específico que cada afásico mantém com ela.


34