S1. Análise de estruturas linguísticas - Fonética e Fonologia (Pôsteres)

ASSIMETRIAS ENTRE A PRODUÇÃO E A PERCEPÇÃO DA EPÊNTESE VOCÁLICA NO PORTUGUÊS DO SUL DO BRASIL
ROBERTA QUINTANILHA AZEVEDO 1, ALINE NEUSCHRANK 1, MIRIAM CRISTINA CARNIATO 1, CARMEN LÚCIA BARRETO MATZENAUER 1
1. UCPEL - UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PELOTAS
betanilha@gmail.com



No Português Brasileiro (PB), os segmentos plosivos e fricativos são proibidos em final de sílaba. A inserção vocálica ou epêntese tende a ser a estratégia de reparo a partir do qual os falantes evitam estas consoantes finais (BISOL, 1997). Entretanto, ainda que a literatura já aponte para as possibilidades de realização ou não de um segmento vocálico, poucos são os estudos que se preocupam em descrever acusticamente essas produções, de modo a apontar os nuances fonéticos nas tentativas de realização dessas estruturas. Assim, o presente estudo objetiva verificar o processo de produção e percepção desse fenômeno que ocorre no PB, em contextos mediais de palavra. Para a constituição do corpus, foram propostos dois instrumentos: um de leitura de frases, adaptado de Azevedo (2011), que continha palavras com os contextos para o aparecimento da epêntese na produção, como em “rapto; o outro, aplicado como teste de percepção, era composto de estímulos sintetizados de forma que os sujeitos fossem expostos a diferentes situações de epêntese (surda, vozeada e sem epêntese), para que se verificassem quais frequências seriam percebidas pelos sujeitos. Fizeram parte da pesquisa quatro sujeitos que nasceram e sempre viveram em Pelotas-RS, com o cuidado de serem homogeneizados fatores extralinguísticos. Os dados de produção foram submetidos a uma análise acústica com o uso do software PRAAT (BOERSMA & WEENINK – versão 5.1.12). A hipótese prevista, que parece confirmar-se, é a de que há uma assimetria entre a produção e a percepção da epêntese vocálica em contextos de codas mediais: enquanto, na produção, têm-se o caráter gradual das frequências e a variação do tipo de epêntese vocálica, na percepção verifica-se a tendência a optar pela manutenção de valores fixos de frequência com os índices de uma vogal lexical vozeada.


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