O presente trabalho tem como objetivo investigar como são formados os compostos coordenados (cf. OLSEN, 2000, 2001, 2004; BISETTO; SCALISE, 2005; BISETTO, 2010; PADROSA-TRIAS, 2010; e ARCODIA; GRANDI; WÄLCHLI, 2010) do Português Brasileiro (PB), além de buscar semelhanças e diferenças entre esses compostos e as sentenças coordenadas (cf. ROSS, 1967), a fim de dar um tratamento sintático para a coordenação, por meio do arcabouço teórico da Morfologia Distribuída (MD) (cf. HALLE; MARANTZ, 1993).
Nossa hipótese é a de que expressões coordenadas, sejam aquelas constituídas por nomes compostos ou por sentenças, são formadas com base nos mesmos tipos de restrições (sintáticas ou semânticas) e operações, que resultam em características comuns como: presença ou ausência de núcleo, recursividade etc.
Primeiramente, fazemos um levantamento dos tipos de compostos que o PB apresenta, baseando-nos na classificação de Olsen (2001). Além disso, mostramos um contraste entre os compostos do inglês, espanhol e PB, com base no trabalho de Renner e Fernández-Domínguez (2011), assim como uma descrição dos compostos baseada em Arcodia, Grandi e Wälchli (2010), os quais observam dois macro-tipos de compostos coordenados: (i) hiperônimos (o referente está em uma relação de superordenação dos significados de suas partes) e (ii) hipônimos (o referente mostra uma relação de subordinação dos significados de suas partes).
Assim, por meio dessas descrições, explicitamos a ambiguidade presente em compostos como ator-diretor: (i) um único referente expressando duas funções; (ii) uma relação de atribuição em que o segundo elemento do composto atribui uma especificação ao primeiro elemento.
Por fim, nossa análise propõe uma estrutura sintática que dê conta de casos em que há dois DPs em uma sentença coordenada “O proprietário e o editor do jornal eram membros do clube”, em contraposição a casos em que há apenas um DP formando um composto coordenado “o editor-proprietário do jornal era membro do clube”.
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