S1. Análise de estruturas linguísticas - Morfologia (Comunicações)

O ESTATUTO CATEGORIAL DE FORMAS INVARIÁVEIS PARA ADJETIVOS E ADVÉRBIOS
ANA PAULA SCHER 1
1. USP - Universidade de São Paulo
anascher@usp.br



Este trabalho investiga a derivação e interpretação de formas adjetivais em sentenças a que lhes é atribuído um uso adverbial, como se vê em exemplos do português brasileiro e do inglês: (1) Maria tem atitude firme. (2) Maria namora firme. (3) This is a safe place. (4) Be careful and drive safe. Em cada uma dessas línguas, têm-se casos em que não se distingue morfologicamente um adjetivo ((1) e (3)) de um advérbio ((2) e (4)). Trata-se, portanto, do problema da delimitação entre essas duas categorias, levantado pelas formas firme ou safe, também chamadas de adjetivos invariáveis ou adverbiais. A presente pesquisa procura investigar as consequências de uma análise baseada no quadro teórico da Morfologia Distribuída para a derivação de formas como firme ou safe e seu uso como adjetivo ou advérbio nas sentenças de (1) a (4). A partir da investigação do fenômeno em línguas como o português, brasileiro ou europeu, o inglês, entre outras, procuramos identificar os contextos em que o critério morfológico não funciona para distinguir entre adjetivos e advérbios nessas línguas, bem como os fatores que condicionam a (não) ocorrência dessas formas idênticas em contextos em que se esperam adjetivos e advérbios. Além disso, buscamos determinar as diferentes leituras que lhes podem ser atribuídas (modo, modo orientado para o agente, grau, advérbio orientado paro o método, predicação secundária, etc, como propõe Schäfer (2006)), visando estabelecer uma relação entre as propriedades da raiz de que tais formas derivam e a sua ocorrência como adjetivo ou advérbio.


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