P19. Fonologia: teoria e análise (Comunicações dentro de Projetos)

O APAGAMENTO DO R EM CODA SILÁBICA NAS CAPITAIS DO NORDESTE BRASILEIRO: DADOS DO PROJETO ALIB
CLÁUDIA DE SOUZA CUNHA 1, CAROLINA RIBEIRO SERRA 1, DINAH CALLOU 1
1. UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
carolserraufrj@gmail.com



Este trabalho focaliza o apagamento variável do R, em posição de coda silábica medial e final, a partir de amostras de fala culta do Projeto ALiB, estratificadas em duas faixas etárias – de 18 a 30 anos e de 50 a 65 anos e provenientes das capitais do nordeste brasileiro. O aparato teórico-metodológico a ser utilizado é o da sociolinguística quantitativa laboviana (Labov, 1994). Servem como corpora de controle os dados do Projeto NURC e os do Projeto VALPB. Trabalhos anteriores têm mostrado que, na análise do processo de apagamento do R, é necessário considerar os contextos em que ocorre o segmento -- coda externa ou interna à palavra -- e seu tipo de realização -- [+/-vibrante] e [+/- anterior]), uma vez que a manutenção do segmento ocorre preferencialmente nos dialetos em que a consoante mantém ainda o seu caráter de vibrante ápico-alveolar. Com base nas cinco capitais do Projeto NURC (POA, SP, RJ, SSA e RE), Callou et alii (1998) verificam um percentual médio de 46% de apagamento do R em coda silábica final e de apenas 3%, em coda medial, o que demonstra que o apagamento já atingia este contexto, na década de 1970. Em estudo recente com base na fala culta de nascidos em João Pessoa (Projeto VALPB) e em Salvador (Projeto NURC), Oliveira & Oliveira (2013) apresentam resultados bastante superiores de apagamento para a coda medial, nas décadas de 1990/2000: os pessoenses apagando o rótico ainda com mais frequência (19%) do que os soteropolitanos (11%). O objetivo é mostrar que, em alguns dialetos, o apagamento do R não se restringe à coda silábica final, já atingindo com frequência significativa também a coda medial, principalemente nas capitais cuja norma de pronúncia é [-vibrante, - anterior]).


460