P10. Estudo da Aquisição da linguagem (Comunicações dentro de Projetos)

A ANALOGIA: SEU LUGAR NA TRAJETÓRIA LINGUÍSTICA DE CADA CRIANÇA
ROSA ATTIÉ FIGUEIRA 1
1. UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas
rosattie@yahoo.com.br



Ao se referir à linguagem da criança como “um verdadeiro tecido de formações analógicas” (Escritos de Linguística Geral: 139-140), Saussure abre-nos a perspectiva de observar o lugar deste mecanismo na trajetória do 'infans' com a língua. A partir de material empírico incidindo sobre a estrutura da palavra e sobre unidades de maior extensão procuraremos, através dos 'corpora' de dois sujeitos principais (A e J) e de outros três que lhes serão acrescentados, identificar entre fatos potencialmente explicáveis pelo fenômeno da analogia, um núcleo de singularidade próprio a cada sujeito. Tomando distância de uma proposta que prioriza a noção de desenvolvimento (De Lemos 2006), afastamo-nos do compromisso teórico de assumir a existência de mecanismos que atuem uniforme e previsivelmente, igualando produções de sujeitos numa mesma faixa de idade; ou que desprezem a ocorrência de erros tardios (Bowerman 1982). Neste sentido, percorreremos o caminho das ocorrências que divergem da fala adulta, registradas numa faixa que vai de 2 anos a 5, 6 (ou mais) de idade, domínio empírico constituído por : criação de palavras, improvisações em denominação de objetos, formulações originais com ares de definição e outras produções verbais, cujo estatuto procuraremos considerar via fenômeno analógico, até onde este se mostra adequado na exploração de um estado de língua em constituição. Interessa-nos tanto a variação transbordante (erros morfológicos, singulares a cada registro), decorrente de uma operação de "mise en rapport", quanto sua perda, dois processos que importa descrever como fatos estruturais, consequentes à captura do sujeito pela língua. Com apoio nos conceitos fundantes do legado saussuriano, o entretecer de produtos - ora previsíveis, ora insólitos - permitirá avaliar em que medida revelam-se sede de uma experiência singular dos sujeitos com a língua materna, contribuindo, desta forma, para o alargamento da discussão sobre diferenças no cenário da linguagem na infância.


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