Artigos definidos e possessivos: a estrutura do DP em Português Brasileiro
Maria Aparecida Torres Morais (USP)
O objetivo principal deste trabalho é propor uma estrutura para o DP possessivo no PB.
No BP há variação na concordância de número entre o Determinante e o Nome. O Adjetivo prenominal não altera este padrão.
(1) as novas bicicletas/ as novas bicicleta/ as nova bicicleta/*a novas bicicleta.
Entretanto, dada a sequência D+Poss+N, número é morfossintaticamente realizado no possessivo (cf. Scherre 1988,1994; Costa &Figueiredo Silva 2006)
(2) as suas bicicletas/ as suas bicicleta/ a suas bicicleta/*as sua bicicleta
Borik, Cyrino & Espinal (2012); Cyrino & Espinal (2013) argumentam que, no PB, nominais nus argumentais (BNs) são DPs com a projeção de Número (NumP), morfossintaticamente interpretado em D, mesmo quando D é nulo.
Adotando essas propostas, assumo que os possessivos meu, teu, seu, etc. são complexos de traços de pessoa e número (cf. Harley & Ritter 2002; Zribi-Hertz 2003), os quais ativam a projeção de uma categoria funcional, denominada FP. O possessivo, gerado no SpecFP, altera a dinâmica dos traços +/-interpretáveis de número em D (cf. Chomsky 200).
O PB difere do português europeu (PE), onde a concordância de número entre D e Nome não é variável, e o artigo definido lexical é obrigatório. Além disso, Raposo (1988) mostra que BNs objetos têm leitura unicamente genérica em certos predicados.
As hipóteses abaixo permitem formular uma bordagem microparamétrica (cf. Kayne 2000; Baker 2008; Richards 2008) do DP possessivo entre as diferentes variedades do PE e PB.
H1: D é “locus” de definitude;
H2: Número é semanticamente valorado e interpretável em F;
H3: Determinante definido, lexical ou nulo, é obrigatório no DP possessivo;
H4: Traços de número são opcionalmente “spelled out” no Determinante e no Nome.
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