No ano em se completa o centenário da morte de Ferdinand de Saussure (1857-1913) muitas são as releituras feitas sobre os axiomas estabelecidos pelo genebrino, não apenas pela sua importância reconhecida desde o Curso de Linguística Geral, mas também pelos textos inéditos que surgiram desde seu falecimento. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo examinar uma questão teórica que acompanha a trajetória da fundação da linguística, a saber: as chamadas exclusões saussurianas (sujeito, história e referência), mas mais precisamente no que tange ao conceito de história. Para auxiliar a análise aqui proposta, nos pautamos nos fato de que Saussure deu novo sentido não apenas ao conceito de língua, mas a todo o tratamento que lhe era dispensado, rompendo assim com as teorias que lhe antecederam. Logo, em um momento em que a teoria saussuriana está no centro das discussões não apenas pela sua importância inquestionável, é que a proposta aqui colocada busca priorizar o cenário brasileiro, a fim de compreender como estão sendo interpretados, atualmente, uma das exclusões saussurianas. A questão norteadora deste trabalho é, portanto, possibilidade de que nas últimas décadas possa ter havido uma mudança na interpretação de tal conceito da teoria saussuriana, de modo a provocar um reposicionamento a respeito dessa exclusão. Assim, neste trabalho nos propomos a realizar um exame das publicações, de autores brasileiros, que circularam nas últimas décadas e foram destinadas ao público especializado. Não pretendemos aqui oferecer uma resposta definitiva, mas apenas compreender melhor como tais conceitos têm sido tratados, em um momento em que os manuscritos potencializam as discussões e as ampliam as possibilidades de leituras do texto que foi fundador da ciência chamada Linguística.
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