P21. Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias do Português (Comunicações dentro de Projetos)

ESTUDOS SOBRE CONCORDÃNCIA NOMINAL EM TRÊS VARIEDADES DO PORTUGUÊS: NOVAS PERSPECTIVAS
SILVIA FIGUEIREDO BRANDÃO 1
1. UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
silvia.brandao@terra.com.br



Desde 2009, vêm sendo desenvolvidos estudos sobre concordância nominal de plural com base nos pressupostos teóricos da Sociolinguística Variacionista e em corpora representativos de três variedades do Português ¬ a europeia (PE), a brasileira (PB) e a santomense (PST) _, com o objetivo principal de determinar os parâmetros que caracterizam e delimitam tais variedades. Os estudos demonstraram que a concordância nominal constitui uma regra categórica no PE e uma regra variável no PB e no PST, embora, no âmbito da fala culta das duas últimas variedades, ela tenha caráter semicategórico. Nesta comunicação, tem-se por objetivo apresentar um quadro geral dessas pesquisas, discutindo seus principais resultados, entre os quais sobressaem as restrições de cunho estrutural nos níveis sintático (posição linear e relativa dos constituintes do SN) e semântico (animacidade) e, sobretudo, as de cunho extralinguístico, como o nível de escolaridade do falante. Levantam-se algumas hipóteses sobre o comportamento da variável linguística em foco nos três espaços nacionais. Com base nos dados observados e na comparação destes aos fornecidos por análises realizadas sobre o português como Língua 2 em Cabo Verde e Angola, acredita-se que o maciço contato interlinguístico verificado em áreas não europeias tenha determinado, por meio de um processo de aprendizagem irregular do Português, a regra variável que caracteriza o PB e o PST. Por outro lado, chama a atenção o caráter aparentemente monolítico da regra no PE, usada, ao que tudo indica, segundo o padrão canônico, em diferentes regiões, por falantes de todos os níveis de instrução. Para tentar compreender tal comportamento, discutem-se questões viculadas à aquisição da linguagem e à tendência à não supressão da coda silábica no PE. Para finalizar, apresentam-se sugestões para dar continuidade à pesquisa, de modo a testar as hipóteses aventadas e a aprofundar o conhecimento dos diferentes padrões de concordância nominal em Português.


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