S1. Análise de estruturas linguísticas - Semântica (Comunicações)

CONSECUTIVA, FINAL, CONCLUSIVA? ANÁLISE COGNITIVISTA DE UMA CONSTRUÇÃO COMPLEXA
LILIAN VIEIRA FERRARI 2, DIOGO OLIVEIRA RAMIRES PINHEIRO 2
2. UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
diogopinheiro@ufrj.br



No âmbito da Gramática de Construções, tem sido demonstrado que a busca por generalizações de superfície (GOLDBERG, 2006; 2013) tende a ser mais produtiva e a gerar insights mais reveladores que as análises baseadas em paráfrases aproximadas. Metodologicamente, a ideia de generalizações de superfície envolve a comparação de um determinado padrão construcional com outro padrão formalmente próximo (ainda que sem afinidades semânticas óbvias), no lugar da tradicional ênfase em alternâncias formais (como a alternância ativa/passiva ou a alternância ergativa, por exemplo). Neste trabalho, recorremos à noção de generalizações de superfície para discutir o caso de enunciados como (1) "Ana é muito jovem para se casar". Virtualmente excluídos das gramáticas tradicionais, usos desse tipo têm sido tratados como construções consecutivas por autores como Neves (2000), Mateus et alii (2003) e Azeredo (2011), presumivelmente em função da possibilidade de parafraseá-los por meio de uma estrutura consecutiva canônica (do tipo "Ana é tão jovem que não pode / deve se casar"), o que revelaria a existência de uma relação semântica de causa e efeito. Neste trabalho, buscamos obter uma análise semântica mais refinada (e reveladora) de usos como (1) a partir da sua comparação com outros padrões formalmente próximos, ainda que sem afinidades semânticas óbvias - como (2) "Está um dia perfeito para namoro e cinema" e (3) A comida está muito salgada para mim". A partir dessa análise, buscaremos problematizar o caráter consecutivo da construção exemplificada por (1).


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